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1.2.15

Contra a barbaridade...recordando.


A Azórica contra as corridas picadas

Gostaria de saber em que é que se baseiam os defensores dos toiros picados para afirmarem que tal faz parte da tradição terceirense.
Quanto à defesa que tal tradição seria uma promoção turística, é no mínimo insustentável, já que não estou a ver ninguém a deslocar-se à Terceira, do Continente ou de qualquer outro sítio para ver toiros picados.
Hoje em dia, usa-se muito a expressão “estar com pica”, sendo sem dúvida que os defensores daquela actividade devem estar mesmo bem picados… Tal atitude, até me faz lembrar a dos que defendem estabelecimentos de diversão nocturna ou fogo de artifício, como se tal fosse uma atracção turística para estas ilhas, no meio do mar plantadas.
As pessoas que nos visitam vêm ao encontro da natureza e de um ambiente quase único, pautado por uma forma calma de viver o dia-a-dia.
É esta imagem que o Governo Regional tem publicitado e é ela que promove adequadamente os Açores.
Se alguma dúvida houvesse, bastaria ouvir os comentários das pessoas que nos visitam.
A propósito da legalização desta cruel actividade, não posso deixar de referir que quando era menino e moço, os cantoneiros e outros funcionários públicos, inspeccionavam o tamanho do aguilhão da aguilhada, sendo os proprietários sujeitos a multas se ultrapassem um determinado tamanho, com o objectivo de proteger os animais.
Recorde-se que tal norma foi feita no tempo da “Antiga Senhora” e agora em pleno Séc. XXI e em plena democracia pretende-se legalizar-se aquilo que alguém, muito bem, classificou de barbárie.
As sociedades protectoras dos animais e a própria Legislação vigente defende a qualidade de vida dos animais e agora os senhores deputados, pagos com o dinheiro de todos nós, se calhar vão aprovar uma Lei só para satisfazer uma minoria de “picados”, sabe-se lá porquê e com o quê.
O argumento de que só vai a tais toiradas quem gosta de ver não colhe, pois o pobre do animal não vai sofrer mais ou menos, pelo facto de ter muitas ou poucas pessoas a ver o seu mártir.
Já disse e volto a repetir que um dos grandes problemas da democracia é que muitas vezes não se decide de acordo com o que consideramos mais correcto, mas sim por parâmetros que indiquem a possibilidade de ter mais ou menos votos.
Espero que os nossos deputados tenham a coragem de votar naquilo que é mais correcto, ou seja, na não legalização de tais toiros picados e deixem o povo da Terceira divertir-se com as danças de Carnaval, touradas e outras festas.
A Terceira é considerada por muitos como um parque de diversões, mas certamente, a maioria dos terceirenses dispensa esta palhaçada…
A Azorica solidariza-se com todas as posições tomadas contra os toiros picados, nomeadamente com a dos “Amigos dos Açores”.
Manuel Faria de Castro*
12 de Maio de 2009

Manuel Faria de Castro, natural da freguesia da Praia do Norte, Ilha do Faial, Açores. Faleceu subitamente a 24/9/2009, com 63 anos, na Fajã da Praia do Norte. Licenciado em História pela Universidade Clássica de Lisboa, foi professor da Escola BI António José de Ávila, na cidade da Horta. Eleito em 1985, presidente da Direção de Futebol da Horta. Ele contribuiu grandemente para a evolução do futebol, seu incremento e dinamização, e o lançamento do fustal - futebol de salão. Desde 1996, presidente da Associação de Defesa do Ambiente (Azorica). Também era membro do Núcleo Regional da Liga Portuguesa contra o Cancro. Recentemente havia se tornoado no responsavel pela Delagação do Faial da Associação de Consumidores da Região Açores (ACRA). Conhecido pelo seu voluntarismo e dedicação às causas públicas. Também foi habitual colaborador em vários jornais locais com artigos de opinião. Autor do livro 75 anos ao serviço do futebol (1930-2005), editado pela Associaçao de Futebol da Horta, em 2006. Era uma personalidade controversa, polémica, e por vezes, incómoda. Por ocasião do seu falecimento, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) manifestou o seu sentido pesar pela pessoa do seu Vice-presidente. (Jornal Incentivo 25/9/2009, Horta, pág. 8, artigos de Ricardo Freitas e Luís Rosa)(http://acores.wikia.com/wiki/Manuel_Faria_de_Castro)

Açores não são Barrancos

10.11.13

O que é a sorte de varas?



(Informação do médico veterinário José Enrique Zaldivar Laguia , clínico e presidente da AVATMA. Tradução do médico veterinário Vasco Reis).
Durante a tourada, e durante um período de aproximadamente 15 minutos, o touro é submetido à sorte de varas.
Assim que ele entra na arena é atraído através de uma série de passes com a capa e é submetido à sorte de varas - o "acto” da lança.
Nesta parte, o picador (lanceiro) utiliza a ponta da lança, “puya”, garrocha, que é um instrumento pontiagudo com cerca de 9 centímetros de comprimento, dividido em duas secções: uma ponta em forma de cone de cerca 3 centímetros e uma outra de aço em forma de corda de cerca de 6 centímetros de comprimento. Este instrumento destina-se a ferir certos músculos e ligamentos do cachaço, parte superior do pescoço do touro. O objectivo deste acto é facilitar o trabalho do toureiro pois, uma vez que estas estruturas anatómicas foram feridas, o touro não vai ser capaz de levantar a cabeça . “Infelizmente” não é só isso que acontece. É sabido que 90 % das estocadas com a lança são feitas muito mais para trás, onde as vértebras estão muito menos protegidos. Além disso, como resultado de golpes ilegais (proibidos) dos picadores , tais como “furar” (torcendo a lança no pescoço do touro como um saca-rolhas) ou o "entra e sai" (aprofundar e aflorar a lança várias vezes sem a retirar, de modo a que uma lança tem o mesmo efeito como tendo sido utilizada várias vezes, o que impede o touro de fugir quando sente a dor), as feridas são muitas vezes terríveis.
A hemorragia causada por estes métodos faz com que a perda de sangue possa ser de até 18% , enquanto a (entre aspas irónicas) quantidade "desejável" é de 10% . Devido a esses movimentos, uma lança pode produzir feridas com mais de 20 cm de profundidade, e entrar no corpo em até cinco sentidos diferentes, ferindo muitas estruturas, inclusivé quebrando estruturas ósseas.
Os taurófilos (taurinos) argumentam, que o uso da “puya” serve para "aliviar" o touro da sua bravura e excitação na lide. No entanto, o que acontece com a tortura da “puya” não é um descongestionamento simples, porque o touro assim perde até 10 litros de sangue, visto que ao se aprofundar e aflorar sucessivamente a “puya”, se chega a provocar uma ferida muito profunda . Outra estatística é, que apenas 4,7% do cravar da “puja” conseguiu cortar os músculos do pescoço e deixar o resto da anatomia local intacta.
O que geralmente se corta com má pontaria da “puja”, são músculos dos membros anteriores e do tronco. Por isso tropeçam e caiem touros.
Dados: o touro tem cerca de 36 litros de sangue. Com a sorte de varas o animal perde cerca de um terço do sangue, sua força vital.
São manobras ilegais do picador (o cravar e tirar, a acção de saca-rolhas e a de perfuração), que fazem  a puya penetrar mais do que esses 7,6-8,9 cm, sendo que em 70% dos casos, as lanças são cravadas por detrás do andiron e da cruz, e aí sendo menos protegidas pelos grandes músculos do pescoço, podem atingir e ferir estruturas ósseas.
(recebido por e-mail)



24.10.10

Mariana Baldaya sobre sorte de varas- A insistência no incremento da tortura continua



Governo Regional precisa abandonar preconceitos

Mariana Baldaya, da ganadaria Rego-Botelho, defende que o Governo Regional se deve "despir de preconceitos" e avançar com a legalização da sorte de varas, "fundamental em todo o processo de afirmação da Terceira" no circuito da tauromaquia.

Na opinião de Mariana Baldaya, a Região "não deve andar a reboque das obsoletas e hipócritas leis da República".

Na sua intervenção subordinada ao tema "Os Açores entre dois continentes taurinos", aproveitou ainda para rejeitar "o lamentável exemplo da Catalunha", que determinou a proibição de touradas a partir de 2012.

Do ponto de vista de Mariana Baldaya é preciso também vontade para avançar para a real valorização do turismo taurino. "Estamos situados entre a Europa e a América, dois continentes com tradições taurinas, temos paisagens belíssimas, gente hospitaleira e uma cidade classificada como Património Mundial da Humanidade. Numa altura em que andam todos como loucos à procura de nichos de mercado para valorizar a nossa incipiente indústria hoteleira, não será correcto ignorar esta vertente", justifica.

Mariana Baldaya defende também a necessidade de todas as instituições ligadas, directa e indirectamente, à tauromaquia na ilha Terceira falarem a uma só voz no sentido do desenvolvimento de um real projeto de valorização da festa brava na ilha.

DI, 22 de Outubro de 2010

27.5.09

SORTE DE VARAS - A DISCUSSÃO QUE FICOU POR FAZER!

È do conhecimento geral que no último plenário da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, foi a discussão o Projecto de Decreto Legislativo Regional que introduziria a Sorte de Varas, nos espectáculos tauromáquicos nos Açores. Felizmente assim não aconteceu. O elevado número de petições contra a introdução da prática da Sorte de Varas, que deram entrada na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, evidenciam o desacordo das pessoas pela legalização de tal prática. Este é um assunto que divide a Sociedade Açoriana e por essa razão se exigiria uma discussão mais aprofundada junto da população e com as diferentes Entidades Públicas, com responsabilidades politicas e sociais na Região. O Grupo Parlamentar do BE/Açores defendeu a necessidade dessa discussão aprofundada, dada a matéria complexa em questão e a própria necessidade do debate alargado acerca dos direitos dos animais e do que estes representam no espectro civilizacional. De facto o Projecto foi rejeitado por 28 votos, mas a discussão sobre vários aspectos ficou por fazer. Ficamos sem saber, porque não foi discutido ao longo do debate (quer em comissão, quer em plenário), quais as consequências que esta introdução teria nos compromissos internacionais que a Região assume em prol de uma sociedade desenvolvida sócio e culturalmente; qual a orientação dos Órgãos Representativos das ilhas, dada a proximidade destas organizações junto das populações; da auscultação das Associações dos Amigos dos Animais da Região; a mais que pertinente auscultação da Directora Regional da Cultura, não só como representante da Região Autónoma dos Açores na Comissão Nacional da UNESCO (que condena qualquer tipo de violência gratuita sobre animais, a sua exploração para divertimento do Homem e institui a salvaguarda dos direitos dos animais pela lei como os direitos do homem), mas também como representante Regional com competência em matéria de espectáculos; a esclarecedora análise, do ponto de vista histórico, do papel das Touradas na Região e das suas diferentes práticas, convidando entidades que se possam pronunciar sobre esta matéria de forma equidistante e científica (como por exemplo, o Departamento de História, Filosofia e Ciências Sociais da Universidade dos Açores); e por fim a reflexão sobre os Direitos das pessoas: O Direito ao Progresso, o Direito à Civilidade, o Direito ao Combate à Barbárie.

Texto de Lúcia Arruda

Fonte: http://acores.bloco.org/index.php?option=com_content&task=view&id=273&Itemid=42

25.5.09

O Bom Senso...

O bom senso prevaleceu. Foi ganha uma batalha, por certo uma de muitas que se seguirão. No sabor das emoções às vezes perde-se a postura e ofende-se quem pensa diferente. Julgo que foi exactamente isso o que se passou na sessão de trabalhos do dia 13 Maio na Assembleia Legislativa Regional e nos vários órgãos de comunicação social onde deu para perceber a “máquina” que estava por detrás de todo este processo. Foi a parte a querer valer-se pelo todo.
Mas valeu o debate, pela força das convicções e do que cada uma das partes defende. Basicamente o que se pretendeu foi que todos tivessem uma voz activa e participativa nas decisões que respeitam a todos os açorianos. Sentiu-se nas ruas de Angra e na ilha Terceira em geral o descontentamento pela eventual introdução da Sorte de Varas. Bastava ir ao encontro das pessoas e ouvi-las. Penso que os senhores deputados que defenderam a proposta esqueceram-se disso.
Parabéns ao povo, aos que não se conformaram, aos que assinaram na rua uma das várias petições que circulavam pelos Açores, a todos os que por vários meios fizeram-se ouvir. Foi estimulante sentir toda esta movimentação em torno de uma causa. Percebeu-se que os cidadãos estão atentos à forma como este novo Estatuto Político-Administrativo, obtido a ferro e fogo, será utilizado no futuro. Isto nunca foi uma questão partidária. As cores da votação na Assembleia Legislativa são a prova viva. Foi antes uma nódoa na democracia participativa.
O tema da Sorte de Varas não tem dignidade para fracturar a nossa sociedade. Sentiu-se a mobilização civil em torno de uma inovação retrógrada. Apraz-me o facto do Presidente do Governo Regional já ter tomado a iniciativa de apresentar um diploma que regulamente as touradas na Região Autónoma dos Açores. Não gosto de “partidarites” mas acho que na ilha Terceira a politica está excessivamente “lobbilizada”. Admito que vá para além da Terceira. Admito que seja regra comum. Em todo o caso, a procura de notoriedade pode por vezes funcionar exactamente ao contrário. Quero dizer, ser-se notado sim, mas pelas piores razões. Os cidadãos de hoje não são a geração de eleitores de há 10 ou 20 anos atrás. Temos outra sensibilidade e sobretudo não somos tão ingénuos. Percebemos à distância quando se está na política para ser servido e não para servir. Um eleito público assume um cargo de grande responsabilidade, que não se compadece com interesses privados em detrimento do interesse público. Termino com uma frase dita e citada vezes sem conta “O engano recebido deve ser gravado na memória para sempre”: para aprender para o futuro, e para assumir as responsabilidades em devido tempo.

Duarte Gomes

21.5.09

Sorte de varas


Sou contra a legalização da “sorte de varas” na arte taurina por um conjunto grande de razões. Nos debates parlamentares de 2002 sobre esta matéria tive oportunidade de expor e fundamentar essa argumentação, o que não farei agora. Tendo em conta o que se passou no Parlamento Regional na semana passada, entendo que foi muito positivo ter havido uma maioria de representantes dos açorianos que votaram contra uma iniciativa parlamentar subscrita por deputados do PSD, PP, PPM e PS que visava autorizar nos Açores a “sorte de varas”. Acho, por outro lado, ter sido negativo e despropositado, que esses mesmos deputados proponentes, perante as acrescidas possibilidades de legislar, apenas tenham encontrado essa matéria polémica para tentarem inaugurar o novo poder legislativo. O trabalho feito por diversas organizações teve o elevado mérito de fazer com que crescesse o número de cidadãs e cidadãos que ganharam consciência da inaceitabilidade daquela prática espanhola, aumentando assim muito o número daqueles que a não querem por cá. Estou mesmo em crer que o número de deputados (26) que propuseram e votaram a iniciativa é muito maior, percentualmente, do que a quantidade de açorianos que hoje defendem tal prática.

Usar bem e para bons fins, úteis à sociedade e geradores de amplos consensos, a capacidade legislativa que temos, é uma necessidade. Esta “lei dos 26”, justamente derrotada por 28 do PCP, BE,PS e PSD não se enquadrava nesse principio. Foi bom derrotar a “sorte de varas” agora.
josé decq mota

Fonte:Açoriano Oriental, 21 de Maio de 2009

13.5.09

INTERVENÇÃO DO DEPUTADO REGIONAL DO PCP, ANÍBAL PIRES, SOBRE O PROJECTO DE LEGALIZAÇÃO DA SORTE DE VARAS

Horta, Assembleia Legislativa Regional, 13 de Maio de 2009


Senhor Presidente,
Senhores Deputados,
Presidente do Governo Regional,
Senhores Membros do Governo,
Antes de abordar este controverso tema que discutimos hoje, quero manifestar o meu mais profundo respeito por todos os aficionados do espectáculo taurino, em todas as suas manifestações e o reconhecimento da importância da festa brava na cultura e tradições dos povos ibéricos e latino-americanos.
As críticas que fazemos à prática que este diploma pretende introduzir não são feitas a partir de qualquer postura de superioridade. Pelo contrário, são feitas com toda a lealdade, frontalidade e respeito pelas concepções e paradigmas de cada um.
E gostaria que todos os Senhores Deputados tenham esta realidade bem presente, mesmo na eventual crispação que possa acontecer no calor deste debate.
O que discutimos aqui hoje são argumentos políticos sobre um problema político.
Não se trata do confronto entre mundivisões éticas irreconciliáveis e antagonistas, nem de uma luta entre melhores e piores.
Não há aqui vítimas, nem carrascos, mas sim deputados com diferentes posicionamentos e opiniões que desejam discutir e debater num clima saudável de respeito democrático.
Assim o entendemos e assim esperamos que o entendam também.

Senhor Presidente,
Senhores Deputados,
Presidente do Governo Regional,
Senhores Membros do Governo,
Posto isto, quero começar por afirmar o nosso inquebrantável apoio às tradições populares portuguesas. O PCP, nos Açores como em todo o país, coloca como valor cimeiro a defesa e valorização dos nossos costumes, elementos incontornáveis da nossa identidade, referenciais basilares do que somos enquanto povo.
Por isso, aqui nos Açores, valorizamos sobretudo a apropriação popular da festa brava que é, incontestavelmente, a tourada à corda.
Foi nessa prática que o povo açoriano encontrou a liberdade de viver a festa dos touros à sua maneira, sem imposições e sem importações, demonstrando, na pureza e carinho com que soube manter esta tradição, o profundo significado desta festa.
Porque é neste costume, não noutro, que residem porções substanciais e significativas da nossa identidade e da forma como nos relacionamos com o nosso meio, mormente com os animais.
E a natureza da tourada à corda, uma das festas que melhor definem a profundidade da alma açoriana, é o facto de respeitar o animal, de o acarinhar e, diria mesmo de se colocarem o homem e o touro em plano de igualdade, naquele toca e foge de emoções e alegria, que move a população em peregrinação de freguesia em freguesia, de tourada em tourada.
A tourada à corda é um momento genuíno de alegre e inclusiva simplicidade, tão característico das nossas tradições e cultura, de entre as quais as Festas do Divino Espírito Santo pela sua universalidade no mundo açoriano são paradigma.
Esta lição que recolhemos das tradições do nosso povo, ensina-nos que a sorte de varas, que se pretende agora introduzir, é uma prática estranha, estrangeira, distante dos nossos costumes, de difícil compreensão para a nossa cultura, e que poderá, a prazo, ser um factor prejudicial para a própria vitalidade da tradição da tourada à corda.
É fundamentalmente pelo respeito devido às nossas tradições e à nossa cultura que rejeitamos esta pretensão de um grupo de deputados de introduzir a sorte de varas na Região.

Senhor Presidente,
Senhores Deputados,
Presidente do Governo Regional,
Senhores Membros do Governo,
Mas é também no campo das referências que nos permitiram avanços civilizacionais que esta pretensão nos oferece muitas dúvidas e, é também por esse motivo que nos opomos frontalmente e rejeitaremos esta proposta.
As ideias, os costumes e as tradições evoluem, desenvolvem-se, arrisco dizer aperfeiçoam-se, à medida que a história do homem nos vai progressivamente libertando de um passado em que mais duras condições de vida impunham uma diferente concepção e sensibilidade perante os diferentes problemas que se foram colocando ao longo da história da humanidade quer se colocassem ao nível do relacionamento interpessoal, quer ao nível do respeito pelos valores naturais e ambientais.
À medida que as gerações se sucedem, melhorando progressivamente as suas condições e qualidade de vida, os seus valores aproximam-se mais de um ideal humanista de harmonia entre os homens e entre estes e o mundo que os rodeia.
Sem dúvida que o espectáculo da sorte de varas agradará a uma minoria de açorianos e, como dissemos no início desta intervenção, são merecedores de integral respeito e não nos compete emitir qualquer juízo moral sobre a sua opção.
Mas o que nos é agora proposto constitui, objectivamente, um retrocesso em termos dos paradigmas civilizacionais que nos regem. Com isto, como já afirmei, nunca poderemos estar de acordo.
Também, contraria os tratados internacionais de qual Portugal é subscritor, nomeadamente da Declaração Universal dos Direitos dos Animais.
Mas, mais grave ainda, entra em plena contradição com a imagem de valorização ecológica e ambiental que os Açores pretendem transmitir ao mundo, o que pode ter negativas e graves consequências, quer em termos da afirmação internacional da Região, quer em termos de fluxos turísticos por parte de mercados com elevada consciência ambiental.

Senhor Presidente,
Senhores Deputados,
Presidente do Governo Regional,
Senhores Membros do Governo,
Algumas palavras, também, no plano político, para a génese e implicações desta proposta.
Desde logo, o grande problema político é que, em termos de democracia, esta proposta é um verdadeiro buraco negro! E as senhoras e os senhores deputados sabem-no, têm disso consciência!
E sabem-no tão bem que os próprios subscritores em nenhum momento vieram a público defender esta proposta!
Não tiveram a frontalidade de a defender fora da Sala da Comissão e fora deste hemiciclo porque sabem que é uma proposta descontextualizada no tempo e no seu objecto e, este será o mais importante de todos os fundamentos: uma proposta com a qual a esmagadora maioria dos açorianos não concorda.
E por isso o silêncio!
Por isso a tentativa de aprovar a sorte de varas nas costas do povo açoriano!
Os proponentes remeteram-se ao silêncio das tertúlias porque sabem que a sorte de varas não constava do programa eleitoral de nenhum dos partidos representados nesta Assembleia e, como tal, não possuem qualquer legitimidade sufragada pelo povo açoriano para a propor e, por conseguinte, impor!
Têm-se remetido ao silêncio porque sabem que procuram apenas satisfazer o interesse comercial de uma minoria localizada e dos seus grupos de pressão ligados à promoção de espectáculos taurinos, ao mesmo tempo que vão de arrasto, cumprindo a agenda política do Deputado da Representação Parlamentar do PPM que, como é do domínio público, esteve na génese desta proposta. Aliás, segundo informações divulgadas na imprensa regional e nacional que não foram desmentidas, o deputado Paulo Estêvão procedeu a uma inflexão na sua agenda política para que outros deputados, a título pessoal, pudessem subscrever a sua proposta e assim perspectivarem a sua aprovação.
Finalmente Senhoras e Senhores Deputados, em virtude de esta proposta ter saído do âmbito partidário, pois o PS, o PSD, o PP e o BE conferiram aos seu grupos parlamentares liberdade de voto, quero reforçar o apelo pessoal que na passada segunda-feira vos fiz chegar.
Respeitemos a forma singular de humanismo que o povo das nossas ilhas foi criando ao longo das gerações, e a que os nossos maiores chamaram açorianidade.
Os animais, da terra e do mar, de que sempre tirámos sustento e riqueza, sempre mereceram o respeito e a dignidade da sua condição.
Não adulteremos as nossas tradições e a nossa cultura.
Não sejamos os protagonistas de um profundo erro político que vai prejudicar a imagem dos Açores no Mundo.
Não sejamos Senhoras e Senhores deputados os protagonistas de um erro político que, inevitavelmente, nos mergulhará numa luta sem sentido, quando devíamos unir esforços para utilizar as nossas alargadas competências legislativas consagradas no Estatuto para preparar o futuro da Região.
Não desperdicemos o nosso potencial autonómico com um assunto que merecendo, como disse, todo o respeito nada diz à maioria do Povo Açoriano e mormente ao povo das ilhas onde a festa brava é uma festa popular por excelência.
Disse.


O Deputado Regional do PCP


_______________________
Aníbal Pires

SORTE DE VARAS PODE SER INCONSTITUCIONAL

Sorte de varas nos Açores pode ser inconstitucional, diz o jurista Arnaldo Ourique
Publicado: 2009-05-13
Por: Luciano Barcelos
O parlamento açoriano prepara-se para discutir esta tarde um projecto de lei apresentado por deputados de vários partidos sobre a legalização da sorte de varas nas corridas de touros nos Açores.
Mas o jurista Arnaldo Ourique, que opina sobre o Estatuto Político dos Açores e a Constituição, acredita que há fortes possibilidades desta lei regional vir a ser considerada inconstitucional.


Em declaraçoes ao site da RTP/Açores, o jurista diz que o projecto de lei regional colide com a lei nacional que proíbe a sorte de varas.

Arnaldo Ourique suspeita que o Representante da República venha a vetar a lei ou, se isso não acontecer, que o Tribunal Constitucional a declare incosntitucional a pedido das organizações que se opõem à sorte de varas.

Na opinião do especialista, há duas maneiras de legalizar esta prática taurina, como reclamam os aficcionados da ilha Terceira. Uma é a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores pedir à Assembleia da República que legisle sobre a matéria, abrindo uma excepção para a ilha Terceira. A outra é pedir ao Tribunal Constitucional que declare inconstitucional a lei nacional vigente com o argumento de que a Região Açores não foi ouvida na sua elaboração, com prevê a constituição.

Não existindo uma lei nacional sobre o assunto, a Assembleia Regional ficaria livre para legislar sobre a matéria.

Esta manhã, o jornalista Ricardo Freitas, da Antena Um Açores, avançou com a possibilidade do projecto de lei sobre a sorte de varas não chegar a ser discutido no parlamento devido à divisão crescente que está a provocar no seio do Partido Socialista, maioritário na Assembleia.

http://ww1.rtp.pt/acores/?article=8420&visual=3&layout=10&tm=7

Sociedade Micaelense Protectora dos Animais contra a Sorte de Varas

A Sociedade Micaelense Protectora dos Animais apela aos deputados regionais para não aprovarem “os espectáculos que têm como pano de fundo os maus-tratos e o sofrimento dos animais”.
De acordo com um comunicado, a sociedade condena “a iniciativa de alguns deputados regionais no sentido de introduzirem nos Açores as chamadas “corridas picadas”, uma vez que tal espectáculo, degradante e medieval, nada tem a ver com a nossa cultura e tradições, para além de constituir um péssimo cartaz turístico para a região”.
A sociedade acrescenta ainda que “apelamos aos senhores deputados para não aprovarem uma tal legislação, utilizando o seu tempo e energias na resolução de assuntos mais prementes para a maioria dos Açorianos”.
RS/PF
Fonte: Açoriano Oriental, 13 de Maio de 2009

12.5.09

CARTA ABERTA AOS DEPUTADOS DO PARTIDO SOCIALISTA

SOBRE A PROPOSTA DE INTRODUÇÃO DAS “SORTES DE VARAS”


CARTA ABERTA AOS DEPUTADOS
DO PARTIDO SOCIALISTA

No presente mês, vai ser votada na ALRA uma proposta estimulada pelo deputado do PPM, Paulo Estêvão, que fazendo caixa de ressonância da Tertúlia Tauromáquica da Terceira e junto com alguns deputados da mesma ilha, lá foram “fazendo a cabeça” de outros colegas, que se esquecendo da elevada responsabilidade pública de pugnarem pela boa imagem e reputação dos Açores, no seu todo, e de respeitarem a maioria dos Açorianos, que suportaram as suas eleições, lá subscreveram a dita proposta.
CONTRA ESSA PROPOSTA SE REVELA PUBLICAMENTE O PRESIDENTE CÉSAR, TANTO NO REPÚDIO PELA CAUSA SANGUINÁRIA QUE ELA DEFENDE, COMO- EVIDENTEMENTE-- NO MAU USO QUE PRETENDEM FAZER DO NOVO ESTATUTO DOS AÇORES, QUE TANTAS LUTAS E DEMANDAS TEVE DE TRAVAR PESSOALMENTE PARA O CONSEGUIR, CONSISTINDO, COMO DISSE: --"NUMA VITÓRIA HISTÓRICA DA AUTONOMIA DOS AÇORES."
Como podem ler, na comunicação social (Açoriano Oriental, de 30/04/09 e Jornal a União, de 01/05/2009) Carlos César, é totalmente contra a introdução das "sortes de varas nos Açores", e é claro que se sente incomodado com a dita proposta e, para bom entendedor, é seu desejo que os deputados do seu partido votem contra, caso contrário não daria a sua opinião abertamente nesta fase, não desagradando assim ao dito grupo da Terceira, podendo simplesmente emanar recomendação de liberdade de voto. Se o presidente do GRA, não quisesse mostrar que a proposta das "sortes de varas" lhe desagrada, é descabida e considera que deve ser derrotada, mostrava a "neutralidade desresponsabilizante" como o fez Berta Cabral, querendo assim, agradar as "duas partes", mas desagradando a todos, principalmente à maioria dos açorianos, que como se sabe é contra.
Mais uma vez, como é seu apanágio, César foi corajoso, coerente e defensor dos valores dos açorianos, estando ao lado deles, ao mesmo tempo que revela um elevado sentido de “estado”, ao ter em conta o interesse específico da Região no seu todo, quando expressou sua opinião.
Diz mesmo, expressamente, que não é intenção e querer do Governo alterar o regime das práticas tauromáquicas existentes nos Açores (e nós também não), assumindo que o GRA, não deseja as "sortes de varas", pois está bem ciente da contraproducência desta prática na divisão dos açorianos e para a boa reputação dos Açores.

NÃO FAÇAM “CONTRA-GOVERNAÇÃO” E SEJAM FIÉIS À “POSIÇÃO”.

Haja lealdade com o Senhor Presidente, com o GRA e sobretudo com os Açores, pois a maioria dos Açorianos não quer a tortura de toiros, e respeitem o enorme esforço que Carlos César teve na vitória do novo Estatuto, não se devendo permitir que seja estreado, com a viabilização de uma proposta que ele não concorda e que o GRA, não quer

- HAJA LEALDADE, RESPEITO E RESPONSABILIDADE CÍVICA E POLÍTICA!

O Documento veicula o sentir dos Açorianos de Santa Maria ao Corvo, tendo estado todos ao lado de quem se esgrimiu ousadamente - COMO O PRESIDENTE CÉSAR - na fase da sua aprovação, lutando contra resquícios do centralismo que votou os Açores, ao esquecimento, ao ostracismo e ao subdesenvolvimento, advenientes de uma “condução à distância” de feição colonialista.
Se é de sentir orgulho de termos à cabeça da nossa governação pessoas que lutaram tenazmente por um documento que dá um pouco de “mais corda” à auto-condução do destino dos Açores pelos Açorianos e pela União Açórica conseguida à sua volta, é de ficar estarrecido, que logo à saída de tão nobre Documento, que deverá ser “rendido” para o interesse global dos Açores, sua evolução, boa imagem e acreditação nacional e internacional, venha a lume, por parte de um grupo de aficionados tauromáquicos da Terceira, a “saída” que ele permitirá para a introdução, nos Açores da sanguinária tourada com “sorte de varas”, prática oriunda de Espanha sem qualquer tradição no arquipélago.

É vergonhoso!

E muito mais vergonhoso e preocupante se torna, porque A ESSE GRUPO SE COLARAM DEPUTADOS DO PS, QUE SABEM O TANTO QUE O PRESIDENTE LUTOU PELO ESTATUTO. Despiram-se das suas responsabilidades sociais e políticas, e, ainda na frescura deste Documento, de teor central para os Açores, que deverá permitir o espelho do bons exemplos e das descriminações positivas face ao Continente, venham reivindicar, em colagem ao Paulo Estêvão, a estreia do mesmo para facultar a legalização de uma prática de tortura e desrespeito para com os animais e a vida, de incivilidade gritante e de total desinteresse público e específico para a Região.
O Estatuto Politico Administrativo dos Açores, como documento de referência do Arquipélago, que teve um elevado empenho pessoal do Presidente César, deverá servir para espelhar positivamente os Açores, até para justificar perante os opositores a justeza da luta travada em prol do seu enriquecimento e avanço, e, fundamentalmente, para permitir soluções globais de clara vantagem regional, que unam e não dividam os Açorianos.
Apela-se ao bom senso e à responsabilidade dos deputados, sobretudo do Partido Socialista, assim como ao respeito e à consideração da confiança dos açorianos e responsabilidade que o PS tem na Região, acima de qualquer outro partido, aquando da votação da proposta.
Mesmo aqueles poucos que subscreveram a proposta, não lhes deverão dar voto favorável, mostrando aos açorianos que o fizeram, -- embora mal -- para viabilizarem democraticamente a sua discussão e não a sua aprovação.
Outra atitude os açorianos não esperam de deputados responsáveis, a quem confiaram seus votos, em depósito de confiança para representarem a vontade colectiva e não particularizada de facções com gostos sádicos e interesses específicos.
O Bloco de Esquerda e a CDU, já expressaram publicamente essa responsabilidade cívica, social e política, o mesmo devendo acontecer pelo PS, de forma acrescida, pois foi nesse partido que a maioria dos açorianos confiou nas urnas, sendo igualmente a larga maioria deles, tal como Carlos César, que não quer a torturante “sorte de varas” na Região, nem o seu nobre Estatuto “manchado de sangue”.
Viabilizar a introdução das “sortes de varas” nos Açores, seria uma derrota para a esquerda açoriana, e fundamentalmente para os Açores, saindo como único vitorioso o Paulo Estêvão e o lobbie que ele veicula, porquanto foi o PPM que deu rosto cimeiro à proposta, é reconhecido como pai da mesma, e é o partido que perfila na sua defesa em debates televisivos.
Senhores deputados, peço-vos encarecidamente, pela civilidade, pelos animais, pelos Açores, pelos açorianos e em respeito pelo nosso Presidente, que não permitam uma triste nódoa no nosso arquipélago, já tão bem reputado turística e ambientalmente, dando vitória a esse senhor que tanto tem “malhado”, despudoradamente, no PS e no Governo dos Açores.
Os açorianos, pelos seus valores humanistas, não perdoarão ao PS, a viabilização dessa pretensa regressão civilizacional nos Açores, nem a traição do seu sentir maioritário, por parte daqueles, que legitimaram para lhes dar essa voz.


José Andrade Melo, Santa Maria

Colectivo Açoriano de Ecologia Sociale votante de sempre no PS

11.5.09

PELO REFERENDO REGIONAL SOBRE A SORTE DE VARAS

Caro cidadão. A democracia não se ganha, conquista-se. Não são as instituições que fazem as pessoas, mas são as pessoas que fazem as instituições. Não basta apontar o dedo ou criticar quem elegemos, pois somos os primeiros responsáveis pelas decisões dos nossos representantes – o reverso da liberdade é precisamente a responsabilidade.
Em 1995, o Ministro da República para os Açores de então vetou por duas vezes a pretensão que 26 deputados do PSD, PS, CDS-PP e PPM querem agora levar avante na Assembleia Legislativa Regional (ALR). Mau grado a divisão da sociedade civil açoriana a propósito da introdução da Sorte de Varas, a maioria dos nossos representantes na ALR pura e simplesmente ignora-a. Agora, aproveitando os poderes conferidos pelo Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores (EPARAA), um lobby fortíssimo está prestes a subverter as regras da democracia e a conseguir que a vontade de uns se sobreponha ao sentimento social dominante.
Queremos a mesma moeda. A democracia é tanto melhor na sua qualidade quanto maior e melhor for a participação da sociedade civil. Sejamos a favor ou contra a introdução da Sorte de Varas, não pretendemos impor a nossa vontade. Desejamos tão-só ouvir o sentimento social dominante de TODOS os açorianos, pois TODOS ficarão a fazer parte desta decisão. Para tanto, necessitamos do maior número de assinaturas possíveis para que o Referendo Regional seja realizado. Precisamos da SUA ajuda. Contribua para o funcionamento da democracia. Participe, ajudando-nos.
Ass. grupo de cidadãos pelo Referendo Regional sobre a Sorte de Varas

A Sorte das Vacas


Às vezes percebo o centralismo de Lisboa, andamos quase um ano em bicos de pés por causa da aprovação do Estatuto, que era tão importante, e a primeira coisa que fazemos com a abertura legislativa do Estatuto é querer aprovar a Sorte de Varas - um verdadeiro desígnio regional!!! Da próxima vez que exigirmos autonomia a Lisboa havemos de levar com esta na cara!
Realmente não sabemos utilizar a nossa autonomia e ainda bem que ela está aquém daquilo que desejamos. Quando se exige mais autonomia para a ALRAA, tem que ser igualmente exigida maior responsabilidade aos deputados. Semelhante aos jovens quando vão adquirindo autonomia dos pais, mais autonomia corresponde a mais responsabilidade e maior exigência. Será que a nossa ALRAA está à altura da actual autonomia?
Será que há algum deputado que ainda ache que os açorianos querem a Sorte de Varas?
Espero que alguns dos 26 ilustres deputados repensem a sua posição, não pelos seus caprichos pessoais, mas sim pela vontade dos açorianos que representam.


Deputado do PCP contra a sorte de Varas

Sortes ou azares


Não sendo transversal é inegável que a festa taurina está profundamente enraizada na cultura açoriana com os seus tempos, lugares e modos muito próprios.
À semelhança de outras tradições a festa taurina tem nos Açores um modo próprio de se manifestar. A Tourada à Corda é a matriz cultural e tradicional constituindo-se como a apropriação popular da “festa brava”.
As touradas de praça, seja na variante da lide a cavalo seja na lide apeada, gozam também de uma grande popularidade e constituem um património cultural e tradicional que se estende por várias das nossa ilhas e por outras regiões do nosso país e, independentemente de gostar ou não destes espectáculos respeito-os enquanto parte integrante de uma cultura e tradição seculares.
Não posso é concordar que se pretenda, ao abrigo das novas competências legislativas conferidas à Região pela revisão constitucional de 2004 e consagradas no novo Estatuto, introduzir a moda espanhola designada de “Sorte de Varas” nas corridas de praça. É isso que se vai passar esta semana na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores. Um grupo de 26 deputados, cumprindo a agenda política do Partido Popular Monárquico (fazendo fé em notícias publicadas na imprensa regional e nacional) subscreveu uma proposta de Decreto Legislativo Regional que tem por objectivo legalizar a “Sorte de Varas” nos Açores.
Caso venha a ser aprovada esta proposta, que não faz parte de nenhum programa ou compromisso eleitoral dos partidos com assento parlamentar mas que foi subscrita por deputados do PS, PSD, CDS e PPM, introduz-se uma variante da tourada apeada que nada tem a ver com a tradição da festa taurina nos Açores, acrescentando ao espectáculo uma prática que não adjectivo mas sobre a qual sempre direi que contraria os princípios que universalmente servem de referenciais civilizacionais, por conseguinte a introdução da “Sorte de Varas” só poderá ser considerado um retrocesso civilizacional.
Esta responsabilidade política terá de ser devidamente considerada na avaliação que os eleitores farão do trabalho parlamentar de quem votar a favor. Os deputados têm filiação partidária foram eleitos em listas e representam projectos políticos.

* Deputado na ALRAA pelo PCP
www.anibalpires.blogspot.com
anibal pires

9.5.09

Presidente da Direcção dos Amigos dos Açores e as Touradas


Jaime- Por que razão os Amigos dos Açores, como o próprio nome indica, não se assumem como uma ONGA de âmbito regional, em vez de centrarem e limitarem a sua acção a S. Miguel e S. Maria? Parece que cada ilha tem a sua ONGA privativa e para consumo interno. Não será precisamente esse um factor que retira força e credibilidade ao movimento ambientalista açoriano?

Os Amigos dos Açores são assumidamente uma associação de âmbito regional, tal como é reconhecida pelo sistema jurídico português. Esse âmbito regional não implica que tenha acção local em todas as ilhas, mas sim participar activamente em diversas temáticas de interesse regional. Convém reparar que os Amigos dos Açores não se debatem apenas pelos assuntos relacionados com as ilhas do grupo oriental. No entanto, a acção local incide fundamentalmente nestas ilhas, porque são as ilhas onde temos colaboradores activos. Assumindo a descontinuidade territorial do arquipélago só com colaboradores locais podemos desenvolver acções desse âmbito noutras ilhas. Não concordo com a observação das ONGAs para consumo interno. Veja que os Montanheiros, ONGA de âmbito regional, possui para além da sua sede na ilha Terceira, núcleos em mais três ilhas: Pico, São Jorge e São Miguel.

Manuel- Concordo com a posição generalista dos Amigos dos Açores relativamente ao espectáculo taurino na Região. Contudo, porque não defender para a Terceira um regime de excepção da sorte de varas e touros de morte tal como acontece com Barrancos no continente, salvaguardando assim a sua identidade cultural?

A sorte de varas e touradas de morte são práticas de tortura animal extrema, desrespeitadoras da sensibilidade animal, que nos opomos claramente. Não há sentido para qualquer excepção uma vez que as tradições taurinas da ilha Terceira nada têm a ver com estas práticas.

André- Tal como fez com as Touradas de Morte, porque não defendem os Amigos dos Açores duas iniciativas que salvaguardem a nossa biodiversidade e paisagem: - Açores como território livre de OGM? - Açores como território ecologicamente inviável para centrais energéticas de queima de biomassa?

Os dois temas são de reconhecido interesse, no entanto, os nossos recursos humanos são escassos e de natureza voluntária, pelo que não podemos estar envolvidos em demasiados assuntos simultaneamente, sob pena de não lhes darmos o devido acompanhamento. A sorte de varas e as touradas de morte foram assuntos que começamos a trabalhar antes das iniciativas parlamentares para a sua regulamentação, mas que estas lhe atribuíram uma eminência e prioridade particulares. Gostaríamos de ter um maior número de colaboradores voluntários que nos permitisse o envolvimento simultâneo em mais temas. Aproveito para deixar um apelo aos interessados.

(Extracto da entrevista publicada no jornal Açoriano Oriental, 9 de Maio de 2009)

8.5.09

VERGONHOSO



Mando-vos esta foto tirada algures na nossa querida terra, ilha Terceira. Apreciem a beleza deste animal, onde pertence. Já não basta serem "produtos" de laboratório(genetica) para agora passarmos a "produzi-los" para nos entreter com o seu sangue, por capricho de um punhado de gente. Trata-se de humanismo. Palavra que nos dias de hoje começa cada vez mais a fazer algum sentido neste mundo que é meu, teu, nosso, vosso e sobretudo DELES... " É um orgulho ser Açoriano mas ser Terceirense é um privilégio ". Não percamos esse orgulho e privilégio. Sejamos diferentes e não iguais. Não façamos só porque os outros também o fazem.


" É da forma como tratamos os animais que mostramos aquilo que realmente somos"

A nível económico e turístico e devido á cada vez maior preocupação pelo nosso planeta não sei se "ganharíamos" mais preservando e melhorando as "nossas" touradas á corda (sendo elas únicas no mundo, no formato) e, mantendo estes lindos animais em contacto com o manto verdejante vivo que cobre estas ilhas, os picos da Atlântida, que tanto amamos e protegemos, do que ter uma "lei de sangue" vergonhosa a todos os niveis não so pelo conteudo mas pelo oportunismo e lobbies.

Quanto ao PS, queimo hoje o meu cartão de militante pois não entro em cabalas escandalosas, que põe o interesse de alguns acima do respeito por aqueles que não se podem defender pois não teem ninguem que lhes dê voz. Pensei e confiei sempre que poderiamos fazer a diferença. Neste momento e desta maneira passam, sem duvida, a ser um alvo a abater com todos meios que me estiverem ao alcance. Picar-vos-ei não como o pretendem fazer com o animal, mas usando todos os instrumentos como cidadão terceirense, açoriano, português, europeu e do mundo...

Peço-vos desde já desculpas por estas palavras, este desabafo, pois como disse mais acima, não quero que este "privilégio" se transforme em VERGONHA

Obrigado pela vossa atenção.


Cordialmente:

Duarte Cláudio da Costa Gomes

7.5.09

Sorte de Varas- Não vamos desisitr!


Sorte de Varas - Deixar de Lutar Nunca!

No dia em que a Comissão Parlamentar de Assuntos Sociais da Assembleia Legislativa dos Açores aprovou, com seis votos a favor (três do PS e três do PSD) e quatro votos contra (todos os PS), tendo sido ainda registadas duas abstenções (uma do CDS/PP e uma do PSD) o projecto de decreto legislativo regional que legaliza as corridas de touros picadas no arquipélago, enviámos ao Presidente da Assembleia Legislativa Regional dos Açores, ao Presidente do Governo Regional dos Açores, ao Presidente da República, ao Presidente da Assembleia da República e ao Presidente do Parlamento Europeu uma petição colectiva contra a legalização da sorte de varas e dos touros de morte nos Açores que recolheu mais de 500 assinaturas.

De igual modo enviamos ao Parlamento Regional uma listagem de cerca de 400 cidadãos que, através de correio electrónico, comunicaram a sua adesão ao apelo lançado por cinquenta cidadãos contra a vergonhosa pretensão de ser legalizada a sorte de varas nos Açores.

T. Braga