20.8.12

E eu a vê-los passar




"E eu a vê-los passar"


20/08/2012
Havia um anúncio de que muitos portugueses acima dos 40 anos se lembram: promovia um carro que se distinguia por ser extremamente económico. Pelo menos, assim o dizia o fabricante. No spot aparecia um funcionário de uma área de serviço a lamentar-se: "E eu a vê-los passar..." O carro já passou à história, embora precisemos de modelos poupadinhos, nestes tempos de aumentos semanais do preço dos combustíveis, como acontece hoje. A frase ficou. O slogan era tão bom que resistiu ao tempo. E porque, em boa medida, até retratava um Portugal que se senta calmamente a ver os acontecimentos que passam à sua frente.
Ontem, cavaleiros, toureiros e público passaram à frente da polícia a caminho de uma praça de touros móvel onde ia realizar-se uma corrida. Os elementos fardados estavam ali para fazer cumprir uma decisão do tribunal, não necessariamente a lei. Era ou não legal realizar-se uma tourada em Viana do Castelo? Chamada a decidir, a Justiça deu cinco dias aos organizadores para se pronunciarem. Depois decide. Quando o fizer, já o recinto terá sido desmontado e terá partido para longe.
É a política do "E eu a vê-los passar...". A mesma que se segue na costa portuguesa, onde radares velhos foram desativados e os novos estão por montar e ligar. Os traficantes agradecem, enquanto descarregam fardos de droga nas nossas praias. "E eu a vê-los passar..." Nem o anúncio que funcionou tão bem para vender o carro conseguiria vender um país assim.
http://www.dn.pt/inicio/
opiniao/editorial.aspx?
content_id=2727079&page=-1

18.8.12

VIANA DO CASTELO NÃO MERECE SER PROFANADA COM UMA TOURADA





Texto de DEFENSOR MOURA

Depois de uma década e meia de profunda requalificação urbana e ambiental, com preservação e valorização dos recursos naturais, Viana do Castelo desenvolveu um modelo de cidade com estilos de vida saudável em perfeito equilíbrio com o privilegiado ecossistema envolvente.

O respeito pelos direitos dos animais e a decisão de declarar “Viana do Castelo Cidade anti-touradas” foram consequências naturais da evolução civilizacional da comunidade vianense, com aprovação da esmagadora maioria dos cidadãos e escassíssimas manifestações de oposição, como aliás o demonstraram os proprietários da Praça de Touros (que a venderam sabendo que acabariam as touradas) e, até, do centenário clube taurino da cidade que há muitos anos se dedica tranquilamente à prática de bilhar e xadrez.

Em Viana do Castelo não há touros, nem toureiros, nem forcados e as touradas nada tinham a ver com a Romaria d’Agonia, dedicada às belezas vianenses – o traje, o ouro, as danças e os cantares, o cortejo, as procissões e o fogo de artifício que atraem muitas centenas de milhares de forasteiros anualmente.

Ninguém sentiu a falta da tourada nos últimos três anos da romaria e Viana viveu tranquilamente a sua festa maior sem acolher no seu seio o bárbaro espectáculo onde os pobres touros, que vinham de fora, para aqui sofrerem torturas sanguinárias de toureiros, que também vinham de fora, para mórbido prazer de umas centenas de aficionados que, igualmente, de outras paragens chegavam à cidade!

Mas “Viana anti-touradas” é um símbolo da luta pelos direitos dos animais que os, cada vez menos aficionados, não desistem de abater. Esperava-se que, mais tarde ou mais cedo, a indústria tauromáquica investisse sobre Viana.

Foi este ano que o poderoso lobby das touradas apareceu, com uma proposta da federação Prótoiro para instalação de um redondel provisório em terrenos agrícolas na periferia da cidade, com o propósito de esmagar exemplarmente a vontade da cidade que simbolicamente se ergueu contra a bárbarie.

Esbarraram na firme determinação da Autarquia que indeferiu o pedido, por se manter orgulhosamente como “Cidade anti-touradas” e por rejeição do local de instalação da praça provisória. Inesperadamente o Tribunal Administrativo de Braga desautorizou a Câmara Municipal e viabilizou a proposta de realização do sanguinário espectáculo. INACREDITÁVEL!!!

E se, no que se refere ao próprio espectáculo, a contraditória legislação que condena a violência sobre os animais … e parece excepcionar as touradas(!), pode admitir a controversa decisão judicial, era bem dispensável a insensível citação da tauromaquia como manifestação cultural equivalente ao teatro e à música.

Inesperada, porém, foi a decisão judicial de autorizar a instalação de uma praça de touros num terreno agrícola junto ao mar! Sem ouvir a Câmara Municipal, nem a Comissão de Coordenação Regional, nem o Instituto Hidrográfico, nem o Instituto de Conservação da Natureza que tutelam aquela área protegida, o Tribunal autorizou a instalação daquela arena de tortura num terreno onde o próprio agricultor não é autorizado a construir um pequeno casebre para guardar os utensílios agrícolas. ESCANDALOSO!!!

Além de um grave atropelo à legislação vigente, o poder judicial desautorizou publicamente a Autarquia de Viana do Castelo e afrontou desnecessariamente a população vianense que, por esmagadora maioria, reprova e rejeita as sanguinárias torturas tauromáquicas.

Afinal, se em Viana não há touros nem toureiros e os escassos aficionados, se existem, apenas precisam de se deslocar duas dezenas de quilómetros para satisfazerem a sua sede (de sangue) de cultura taurina, PORQUE NÃO NOS DEIXAM EM PAZ???

Porque não deixam os vianenses e os milhares de visitantes fruir alegremente a maior Romaria de Portugal, não manchando a beleza multicolor que a caracteriza com o sangue do sacrifício dos touros inocentes.

É evidente que, na enxurrada da gravíssima crise social que atravessamos, com desemprego, fome e perda de direitos no trabalho, na saúde e na escola pública, este bárbaro atentado aos direitos dos animais é apenas mais um alarmante sinal do retrocesso ético e civilizacional que inunda a nossa sociedade e é preciso denunciar e rejeitar quotidianamente.

Por isso me solidarizo com os vianenses e os amigos dos animais que se vão juntar no domingo, a partir das 16 horas, junto ao Castelo Velho da Praia Norte e na própria Veiga da Areosa, para protestar contra este grave atentado aos direitos dos animais e, simultaneamente, denunciar a escandalosa desautorização dos legítimos representantes autárquicos de Viana do Castelo.

Defensor Moura
17.Agosto.2012

Amanhã vá à Feira das Traquitanas

Se não puder adotar, compre algo no espaço da associação ou faça um donativo, por mais pequeno que seja.

16.8.12

COM VIANA



COLETIVO AÇORIANO DE ECOLOGIA SOCIAL COM VIANENSES ANTITOURADAS


Em 2009, a Câmara Municipal de Viana do Castelo, declarou aquela localidade como Cidade Antitouradas, a única portuguesa que faz parte das mais de 100 vilas e cidades, que também já o fizeram, nos 8 países em que a tauromaquia ainda não foi abolida.

Em crise em todo o mundo, a indústria tauromáquica tem investido em locais onde não há qualquer tradição, contando muitas vezes para isso com o apoio dos governos regionais, autarquias e comissões de festas ligadas à Igreja Católica.

No caso em apreço, a promoção de uma tourada em Viana do Castelo para além de ser mais um instrumento de banalização da violência para com os animais é uma afronta a todos os cidadãos e o desrespeito por uma decisão da autarquia.

O CAES- Coletivo Açoriano de Ecologia Social, coletivo que defende que é o atual modelo de produção e consumo o responsável pela violação dos direitos humanos e ambientais da maior parte da humanidade, sendo também responsável pelo sofrimento infligido aos animais, repudia frontalmente as pressões exercidas sobre a Câmara Municipal de Viana do Castelo e congratula-se com a sua firmeza em não autorizar o cruel espetáculo previsto para 19 de Agosto.

Açores, 16 de Agosto de 2012

CAES



14.8.12

Viana sem touradas

OLHA ESSE TOIRO!



Publicado na Quinta-Feira, dia 09 de Agosto de 2012, por Paulo Sousa Mendes 

Há muitos, muitos anos, o meu bisavô atravessava a zona do cabrito, em direção às Cinco Ribeiras, quando ouviu alguém que lhe gritou: – Olha, esse toiro! Mas, o meu bisavô, ao julgar que estaria a ser alvo de alguma brincadeira, não teve a atenção de se virar para ver o que lhe esperava, foi então 'atropelado' por um toiro.
Serve esta pequena 'estória' como introdução a um tabu que aflige a nossa ilha, a segurança nas touradas à corda.
Manda o senso comum, mas não o bom senso, nunca questionar tudo o que faz parte do 'universo' tauromáquico. Desde o próprio conceito que sustenta o tabu, a tradição, tido, erradamente, como algo imutável e inquestionável até às alegadas vantagens económicas para a ilha, mesmo se, porventura, essas vantagens se repercutam, com maior peso, na designada economia paralela da ilha. Se calhar, por isso, nunca se fez qualquer estudo sistemático que confirme ou não, o contributo económico das touradas na ilha Terceira. Até seria interessante conhecer o volume de negócios gerado pela venda de DVDs de aficionados a serem marretados pelos bravos toiros.
Mas retomando a questão da segurança. Ao longo de muitos anos, eu, pelo menos, nunca me questionei acerca do número de feridos e mortes por cada época de touradas. Mas, qual a razão para essa ausência de discernimento? Bem, porque, simplesmente, «no news is good news». De facto, os eventuais feridos e mortes numa tourada nunca foram e não são motivo para notícia, pelo que equivale, no senso comum, à ausência de perigo das touradas à corda. E compreende-se o porquê. A constante tentativa de “colar” o turismo às touradas é uma razão, pois não seria favorável apresentar o carácter perigoso que envolve a tourada à corda.
E se realmente se pudesse traçar um paralelismo entre o turismo e a tourada à corda, a julgar-se pelo número de dormidas, não seria muito favorável às touradas…se é que me entendem.
Claro há sempre, aqueles mais gabarolas que argumentam que só vai à tourada quem quer, mas isso não explica os motivos de um autêntico pacto social, com vista à proteção de uma tradição. Contudo, até mesmo os mais aficionados e interessados na tauromaquia e mais, especificamente, na tourada à corda, deveriam ter o bom senso de quererem conhecer e dar a conhecer ao público, os dados sobre feridos, vidas comprometidas e mortes provocadas pelas touradas à corda, pois não é por se ignorar um problema que este desaparece. Aliás, o conhecimento do problema é o primeiro passo para o solucionar e pelo que constato, tem sido sempre preferível fazer do problema uma piada «encassetada», ou melhor, digitalizada, do que o levar, realmente, a sério.
noticias/ver.php?id=28917

Nota- Também publicado no Diário Insular no dia 10 de Agosto de 2012

4.8.12

Imoralidade e ilegalidade e Santa Bárbara - Ribeira Grande




NÃO FIQUE INDIFERENTE – AJUDE-NOS A TRAVAR A INVESTIDA DA INDÚSTRIA TAUROMÁQUICA EM SÃO MIGUEL (AÇORES)
Proteste contra a realização de uma tourada à corda em Santa Bárbara no próximo dia 11 de Agosto de 2012



Está prevista a realização de uma tourada à corda na freguesia de santa Bárbara, concelho da Ribeira Grande na Ilha de São Miguel, no próximo dia 11 de Agosto promovida pela Comissão de Festas, ligada à Igreja Católica.

Escreva ao sr. Bispo e ao Padre da Paróquia para impedir que o referido triste “espetáculo” se realize. Divulgue por todos os seus contatos.

Pode usar o texto abaixo ou personalizá-lo a seu gosto.



Bcc: acorianooriental@acorianooriental.pt,jornal@diariodosacores.pt, acoresmelhores@gmail.com, matp.acores@gmail.com, auniao@auniao.com, u@auniao.com, apacores@gmail.com, gbea@amigosdosacores.pt, cantinhoanimaisacores@hotmail.com,


Exmo. e Revmo. Senhor

Dom António de Sousa Braga


C/c: Pároco da Freguesia, Presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, Presidente da Assembleia Municipal da Ribeira Grande, Presidente da Junta de Freguesia



Tomei conhecimento através de uns cartazes que violam o disposto no Decreto Regulamentar n.º 62/91, de 29 de novembro, no que se refere à publicidade dos chamados “espetáculos tauromáquicos”, que promovida pela Comissão de Festas, vai realizar-se, no próximo dia 11 de Agosto, uma tourada à corda na freguesia de Santa Bárbara, concelho da Ribeira Grande.
Considerando que a Igreja Católica deveria ter uma posição clara de oposição às touradas, que foram condenadas e proibidas pelo Papa Pio V, que as considerava como espetáculos alheios de caridade cristã;

Considerando que as touradas em nada contribuem para educar os cidadãos e cidadãs para o respeito aos animais, além de causarem sofrimento aos mesmos e porem em risco a vida das pessoas;

Considerando que entre a população local há paroquianos que estão descontentes com o uso das suas contribuições para fins que em nada servem para a elevação moral e ética dos habitantes de Santa Bárbara;

Considerando que a Igreja (e as comissões a ela associadas) não pode violar as leis em vigor;

Vimos apelar a V. Revª para que intervenha junto de quem de direito para que a referida tourada não se realize.

Atentamente



2.8.12

APA na Feira Quinhentista



A convite da Câmara Municipal de Ribeira Grande, a APA estará presente na Feira Quinhentista nos dias 3, 4 e 5 de agosto entre as 18h00 e as 23h00. Vamos apelar à adoção, prevenção de maus-tratos e sensibilização para esterilização/castração.

Iremos promover, também,  uma angariação de fundos.

Estarão no local animais do canil municipal.