4.1.13

A Triste Realidade dos Animais de Circo



Quem vai ao circo e vê exibições com animais, quase nunca percebe a realidade por detrás do espectáculo, do sofrimento que estes animais passam ao longo de suas vidas. Por detrás de um urso batendo palmas, um macaco vestido e pedalando uma bicicleta ou um elefante equilibrando-se numa pata, esconde-se toda uma série de sofrimento e dor.
Para os menos atentos, o circo dissimuladamente transparece uma imagem de animação e alegria onde os animais executam truques com satisfação e sem qualquer desconforto aparente. Na realidade, os animais nos circos são explorados, torturados, abusados e mantidos prisioneiros por toda a sua vida em nome do entretenimento.
Um resumo do tratamento que estes animais recebem
• Alguns ainda são retirados ao seu habitat natural, jovens e bebés.
• Quando chegam ao circo tem inicio o processo de domesticação. Os “treinamentos” consistem em serem dominados pelo medo, pelo fogo, pelo chicote, golpeados com barras de ferro, terem fome e sede, sofrerem choques elétricos e até serem queimados. Tudo isto até que o seu “espírito seja quebrado” e passem a obedecer.
• Os elefantes sofrem de problemas nas patas por falta de exercício, pois na natureza os elefantes andam dezenas de quilômetros diariamente. Os elefantes, como exemplo, são animais extremamente inteligentes, sociáveis e sensíveis. Eles reconhecem um parente mesmo depois de anos de separação, ficam de luto pela perda de um companheiro e são muito dóceis, suportando todo tipo de agressão sem revidar.
• O comportamento dos animais, caracterizado por mexerem constantemente a cabeça ou a andarem próximo às grades num frenético vai e vem, é uma das características de neuroses e stress do cativeiro. Esse comportamento também é encontrado em animais nos zoológicos. Alguns se auto mutilam, batendo com a cabeça nas grades da jaula e mordendo as próprias patas.
• Muitos têm suas garras arrancadas e as presas extraídas ou serradas.
• São obrigados a suportar mudanças climáticas bruscas, viajar milhares de quilômetros sem descanso, por via terrestre e marítima.
• Em qualquer caso, os animais de circo têm sempre passados traumáticos, fruto da maneira como são mantidos e tratados enquanto são usados para os espectáculos circenses, estão condenados a uma vida de permanente angústia, depressão e frustração, marcados por violência.
Isto acontece em todos os circos. Os que possuem menos poder económico, os maus tratos são ainda maiores. Estes animais sentem um terror constante, pois aprendem desde cedo que se não obedecerem, serão castigados, muitas vezes, violentamente. Num ambiente natural, uma zebra, elefante, foca, leão, urso, chimpanzé, etc nunca pulariam sobre aros, dançariam em cima de cones, pedalariam bicicletas...
Tais espetáculos até seriam razoáveis na idade média, mas estando em pleno século XXI é inimaginável e inaceitável que isso ainda ocorra, pois o conhecimento sobre os animais, o seu comportamento e e a sua própria consciência, já é outro.

Estudos do comportamento das diferentes espécies, demonstraram que todos os animais sofrem em cativeiro.

São um péssimo e degradante "espectáculo" educacional, pois os animais não são objectos nem brinquedos, eles possuem a sua própria natureza, que deve ser respeitada.
Poderá ser apetecível a perspectiva de estar perto de animais extraordinários e vê-los a actuar, mas a extraordinária actuação destas criaturas é aquela que eles fazem todos os dias nos seus habitats naturais, de onde, em muitos casos, estão a desaparecer.
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Mesmo tendo nascido em cativeiro, como tentam justificar alguns donos de circo, eles ainda mantêm seu espírito. Ser nascido em cativeiro não os impede de desenvolverem os seus instintos e inteligência naturais. Não impedem que também sejam alvo de maus tratos.
Em todo o mundo ocorrem acções e fazem-se leis que proíbem o uso de animais em circos. Países como a Argentina, Austrália, Áustria, Brasil, Canadá, Finlândia, Grécia, Índia e Suécia já baniram ou restringiram a utilização de animais nos espectáculos circenses.
Provemo-nos merecedores de sermos chamados de humanos e civilizados.

Existem inúmeros circos bem sucedidos, espalhados pelo mundo inteiro, que comprovam que um circo sem animais consegue ser ainda mais extraordinário e surpreendente, interessante e estimulante, para adultos e crianças, que um circo que usa e escraviza animais para fazer dinheiro.

Lembre-se: os animais de circo vivem e morrem nas suas miseráveis prisões e eles, principalmente os selvagens, não trabalham por opção, trabalham porque não querem que lhes provoquem dor.
A.T.

fontes:

Aila: http://www.aila.org.br
Animais de Circo: animaisdecirco.freeservers.com
Animals Voice: http://www.animalsvoice.com
Apasfa: http://www.apasfa.org
Circuses: http://www.circuses.com
Circo legal não tem animal – WSPA Brasil
Animais de Circo
Projeto Esperança Animal – PEA
APASFA – Associação Protetora dos Animais São Francisco de Assis
Aliança Internacional do Animal
PROANIMA

http://www.ad-international.org/animals_in_entertainment/go.php?id=1427&ssi=10

http://idealismodebuteco.wordpress.com/2008/10/31/a-triste-realidade-dos-animais-de-circo/

http://groups.yahoo.com/group/InfoNature-Portugues/message/860

31.12.12

PERIGOS DOS FOGOS DE ARTIFÍCIO




Problemas mais frequentes:
Fugas: os animais perdem-se, podem ser atropelados ou provocar acidentes
Mortes: enforcando-se na própria coleira quando não conseguem rompê-la para fugir, atirando-se de janelas, atravessando portas de vidro, batendo com a cabeça nas paredes, ficando entalados em grades
Ferimentos Graves: quando são atingidos por foguetes, ou, sem saberem, quando abocanham uma cana por acharem que é um brinquedo
Traumas: mudanças de temperamento, pânico e/ou agressividade
Ataques: investidas contra outros animais e/ou contra humanos, mesmo que estes sejam seus conhecidos
Mutilações: no desespero para fugir, podem mutilar-se, ao tentarem atravessar grades e portões
Convulsões: (ataques epileptiformes)
Afogamento em piscinas, tanques e poços
Quedas de andares ou de alturas superiores
Aprisionamentos indesejados em locais de difícil acesso
Paragens cardio-respiratórias

Recomendações:
Acomodar os animais dentro de casa, onde possam sentir-se em segurança, com iluminação suave, e, se possível, um rádio ligado com música;
Fechar portas e janelas para evitar fugas;
Dar alimentos leves, já que os distúrbios digestivos provocados pelo pânico podem matar (por exemplo, por torção do estômago, especialmente em animais de porte grande);
Cobertores pesados estendidos nas janelas ajudam a abafar o som, bem como cobertores no chão ou um edredão sobre o animal;
Não deixar muitos cães juntos, porque, excitados pelo barulho, podem lutar até a morte. Tente deixá-los em quartos/divisões separados/as, para evitar que na altura dos fogos se mordam uns aos outros por desespero;
Algumas horas antes da meia-noite leve o/os animal/animais para perto da televisão ou de um rádio e aumente aos poucos o volume, para que se distraia/m e se vá/vão habituando ao som alto. Assim, não ficará/ficarão tão assustado/s com o barulho intenso e inesperado dos fogos;
Alguns veterinários aconselham o uso de tampões de algodão nos ouvidos; podem ser colocados alguns minutos antes e tirados logo após os fogos;
Por favor não tome a iniciativa de sedar um animal. Nunca deve recorrer a calmantes e/ou sedativos sem que estes estejam devidamente prescritos pelo médico-veterinário assistente;
Todos os animais se assustam facilmente nas épocas festivas com o barulho dos foguetes. O pânico desorienta-os, e fá-los correr sem destino;
Tente evitar as situações acima descritas, garantindo aos animais condições mínimas de segurança, evitando ambientes conturbados e barulhentos (desde antes da meia-noite; umas 3 horas antes seria o ideal), e transmitindo-lhes, na medida do possível, paz e tranquilidade, dando-lhes a sensação de que tudo está bem e sob controlo.

Com prudência, atenção, e um pouco de boa vontade, podem evitar-se fatalidades.

Fonte: Animal

30.12.12

Terceirense Contra as Touradas





Carta ao sr. Governador Civil, com um pedido particular
Vila Franca de Xira, Outubro de 1925
Exmo. Sr.
Eu sei que V. Ex.ª tem muito que fazer e muito em que pensar. O cargo de Governador Civil de Lisboa é dos que dão água pela barba. É certo que as coisas da política e das eleições se aldrabam pelo Terreiro do Paço; que a ordem pública é com a Polícia e o Carmo - lá as armam lá as desarmam; que dos abastecimentos se encarrega aquela bela rapaziada dos fiscais; e que os passaportes correm pela repartição respectiva; mas tem Vª Ex.ª esse calvário da inspecção dos teatros e a tragédia de dar esmolas com o dinheiro das casas de batota. Só nisto das esmolas V. Ex.ª ganha- queixa do peito! Distraia porém V. Ex.ª alguns momentos desse seu Governo e escute-me.
Há dias realizou-se nesta vila uma tourada, em que foram mortos dois touros. Diziam que era proibido matar. Tolices! O representante da autoridade, representante portanto de Vª Ex.ª, do Dr. Sr. Domingos Pereira e do Sr. Teixeira Gomes, atendeu os justos pedidos da população, que gritava: que se mate, que se mate! E voltou o polegar para baixo…E dois touros rolaram na arena sangrenta, como outrora os cristãos no Coliseu dos Recreios de Nero…
Ouça Vª Ex.ª a descrição do tipo de um dos touros, feita cá por um “colega”: - “Outro bicho! AH! Gente de bom gosto! Que lindo bicho! É um jabonero, novito, mas lindo, tipo de escultura, cabeça nervosa e hastes curtas e aguçadas”.
Repare Vª Ex.ª agora a cena:
“Então o de Triana (matador) aponta e a espada, tocando o osso descaída, salta ao chão. O bicho pensa: ainda não foi desta, e dá duas voltas feliz. Mas Angelito tapa-o com o pano vermelho, perfila-se de lado, aponta e a espada vai, com destino ao coração, até ao meio, ferido de morte, o jabonero não ajoelha. Fica ao centro a olhar o sol, que venceu as nuvens e enche a praça.
Respiração suspensa. Capotes, mais capotes, e o lindo bicho encosta-se às tábuas, à espera, à espera…
Enfim, o de Triana toma outra espada, fina – como uma sentença de morte – e descabella, com felicidade.
Lindo touro! Caiu redondo… Emoção. Voltas. Música. Palmas. Lenços.”
E o cronista conta por último, que depois da corrida o jabonero foi passeado, morto, de trem, pelas ruas desta vila “vencido e orgulhoso”.
A quem ficamos devendo todo este espectáculo extraordinariamente emocionante? Ora a quem… Ao Malta. Vª Exª não conhece?! Nem V.Exª conhece outra coisa! O Malta! O Maltazinho… Um companheirão, um “cara direita” e um “bom republicano!”.

Pois aqui tem Vª Ex.ª porque o venho incomodar. O povo quer recompensar Malta. Pensou-se em oferecer-lhe um banquete na Lezíria, em elegê-lo deputado, em nomeá-lo revolucionário civil. A modéstia de Malta obstinadamente recusa. Há uma coisa porém, a que nenhum Malta resiste… Vª Ex.ª. já me percebeu… É aquilo que Vossas Ex. as todos têm, que, numa palavra, a Malta toda possui!...
É a medalhinha, a venera ou lá o que é e que pelo nome não perca.
A Torre e Espada estava a calhar. O valor, a lealdade e o mérito ali! que nem um homem. Se não puder ser porém – o Cristo. O Cristo, Sr. Governador, com a sua roseta vermelha, até estava a dizer… E mesmo o Santiago, porque não? O mérito científico, artístico e literário, demonstram-se ali. Aquilo tem muita ciência e muita arte e dá lugar a muita boa literatura, como Vª Exª pode verificar pela amostra acima.
Ao menos Sr. Governador Civil se de todo em todo não puder ser qualquer das outras – a Filantropia e a Generosidade. Pois não há filantropia e generosidade em poupar trabalho aos magarefes, dando ao mesmo tempo uma lição de disciplina democrática, de obediência à vontade popular?
Porque foi o Povo, o Povo soberano quem exigiu a morte do touro. Foi o Povo, foi o “Sol” quem gritou: que se mate, que se mate! E a autoridade, verdadeiramente cônscia dos seus deveres – obedeceu. Então porque merece ser premiada a autoridade? Por ter sabido romper com uma ignominiosa tradição secular. É certo que Vª Ex.ª e o Sr. Presidente da República já tinham autorizado os rojões mas, que é isso comparado com aquele estranho ritual de apontar a espada, que toca o osso “descaída” e salta ao chão; com aquela volúpia de “tapar” o touro com o pano vermelho, “perfilar-se” uma pessoa de lado e apontar a espada que vai, com destino ao coração, até ao meio, com aquele delírio de tomar outra espada, fina como uma sentença de morte e de descabellar com felicidade?
Note Vª Exª – com felicidade; e depois passear pelas ruas o touro de tipóia, morto, “vencido e orgulhoso”.
É por estas e por outras que se verifica, Sr. Governador, que esta República é aquela que por nós sonhávamos, nós que não pensamos como esse reaccionário Boto Machado, que apresentou no Parlamento um projecto de lei abolindo as touradas, nós, os “aficionados”, recebemos dinheiro dos “apoderados”, para os touros serem “estoqueados”.
Do que o povo precisa é disto, Sr. Governador, destas lições de valentia e de coragem moral. Dêem-lhe touros de morte e autoridades democráticas, dêem-lhes um pouco de sangue, mesmo de boi, e ele regressará galhardo aos tempos heróicos das Conquistas, das Navegações e dos Descobrimentos.

Vª. Ex.ª, pela sua rica saúde, não vá supor que estou falando por ironia. Isto é a pura da verdade. Temos exemplos de casos bem recentes. Olhe Vª Exª o 19 de Outubro… Vª Exª ainda não tinha autorizado os touros-de-morte, mas só com o cheiro do que ia por Espanha, fez-se aí uma “faena”linda.
Vª Ex.ª lembra-se do homem que matou António Granjo? Era um clarim ou corneteiro da G.N.R. (nunca se apurou bem se era uma coisa ou outra, só se sabe que era da música), que ao sair do Arsenal com o sabre, que embebera no corpo desse politico, a pingar sangue, rugia – já o pinchei, já o pinchei!
Vê Vª Ex.ª! ... Termos técnicos. Linguagem tauromáquica.
Amanhã quando suceder o mesmo ao Sr. Dr. Domingos Pereira ou a Vª Ex.ª (longe vá o agouro!), outro clarim ou outro corneteiro – outra da música- rugirá – já o descabellei, já o descabellei, com felicidade! ...
Não empalideça Vª Exª., que diabo! Somos homens! E os homens são para as ocasiões! Mas é a lógica. Com ensaios como o que o Malta regeu, “eles”, que já têm queda para a música, organizam aí um orfeão de primeiríssima ordem.
E olhe Vª Ex.ª que eu não vejo isto pelo “lado do boi”, vejo pelo lado “deles”, cá pelo meu lado. Conheço -“os”; conhecemo-nos. Quem finge desconhecê -“los”, que não se queixe depois.
Afinal, eu estava a desconversar. Não se esqueça Vª Ex.ª mas é da Legião Vermelha, Legião de Honra, Cruz de Guerra ou Cruz de Cristo lá para o Malta. Bem merece, o rapaz.
Que em boa verdade, este pedido não devia partir de mim, pobre diabo sem influências… Estavam lá na tourada tantos senhores finos. Até estavam jovens Professoras de Universidade; jornalistas de sangue azul e sangue às riscas; asas gloriosas de aviadores; próximos futuros certos deputados, tudo gente de bem e que se rebolou com o espectáculo que o Malta deu mai-lo da Triana.
Eles é que deviam falar, eles é que deviam pedir. Vª Exª a eles atendia-os e com certeza não vai escutar esta
Voz que Clama no deserto/Jaime Brasil
A Batalha, Suplemento Semanal Ilustrado, nº 99, 19/10/1925