15.9.12
14.9.12
Alice Moderno e as touradas
Numa tourada (1)
Pela 1 hora da tarde, e depois de havermos, à janela da sala do hotel, inutilmente esperado uma carruagem requisitada, a qual nunca chegou a aparecer, dirigimo-nos a pé para a praça de touros, sita num alto, na freguesia de S. Pedro, indo ocupar um camarote.
Acha-se em Angra uma quadrilha composta de jovens toureiros, los niños sevillanos, rapazes de 16 a 18 anos, ainda imberbes, que correm novilhos com destreza, e fazem as delícias da população terceirense, tão amadora de touros, que bem mostra correrem-lhes nas veias ainda hoje glóbulos de sangue espanhol.
Tanto os camarotes como as bancadas encontram-se repletos de espetadores, e, nos primeiros raios de um lindo sol outonal, cintilam garridamente as cores claras das toiletes femininas das senhoras terceirenses, reputadas, entre as açorianas, pela sua graça e formosura.
Pelos corredores, vendedores ambulantes oferecem favas torradas, milho submetido ao mesmo processo culinário, laranjas e água, e, à entrada, ao balcão, vendem-se refrescos, entre os quais cerveja da fábrica Melo Abreu Herdeiros, de Ponta Delgada.
Começa a diversão por exercícios de ginástica, executada por operários, sócios da agremiação, Recreio dos Artistas.
Toca uma filarmónica e, de espaço a espaço, sobem ao ar pequenas girandolas de foguetes.
Concluídos os exercícios acrobáticos, feitos, com mais ou menos mestria na barra fixa, são retiradas estas e o tapete sobre o qual haviam dado cambalhotas os curiosos ginásticos.
Entra então a quadrilha, que se dirige para o camarote da autoridade, a fazer os cumprimentos do estilo, percorrendo em seguida a praça com vénias aos espetadores.
Os jovens toureiros vestem fatos claros, de vistosas cores. Usam meia de seda, calção, sapatos de fivela e, como é da praxe, rabicho.
Um deles monta um cavalo esquelético, de olhos vendados e é logo para o infeliz quadrúpede que se dirige toda a minha atenção. É ele, não tenho pejo de o confessar, que absorve toda a minha simpatia e para o qual todos os meus melhores desejos…
Pobre animal, ser incompleto, irmão nosso inferior, serviu o homem com toda a sua dedicação e com toda a sua lealdade, consumindo em seu proveito todas as suas forças e toda a sua inteligência!
Agora, porém, no fim da vida, é posto à margem e alugado a preço ínfimo, para ir servir de alvo às pontas de uma fera, da qual nem pode fugir, visto que tem os olhos vendados!”
E esta fera, pobre animal, também, foi arrancada ao sossego do seu pasto, para ir servir de divertimento a uma multidão ociosa e cruel, em cujo número me incluo!
Entrará assim em várias touradas, em que será barbaramente farpeada até que, enfurecida, ensanguentada, ludibriada, injuriada, procurará vingar-se, arremessando-se sobre o adversário que a desafia e fere. Depois de reconhecida como matreira, tornada velhaca pelo convívio do homem, será mutilada. Em vez de touro de praça, será boi de charrua ou carroça, ou ambos alternadamente. E lavrará pacientemente, resignadamente, santamente, as terras destinadas a produzir o trigo e o milho que o homem há-de comer.
Quando as suas forças tiverem entrado no período declinatório, dar-lhe-ão, em vez da restrita ração quotidiana, dose dobrada. E quando algum descanso relativo, aliado a esta também relativa superalimentação lhe tiverem revestido o esqueleto de alguns escassos ádipos, será abatido e fragmentado, ainda para alimentação do mesmo homem, que se não esquecerá, também, de lhe utilizar o couro, para defesa dos seus pés, e os cascos e chifres para artefactos do seu uso …
E, então, por um fenómeno físico que muitas vezes tenho observado em mim própria, toda a alegria festiva daquela diversão, em que certamente não haveria morte de gente nem mesmo de bicho, se transforma em melancolia amaríssima, contra a qual dificilmente posso reagir. Tento, todavia fazê-lo. Empunho o meu binóculo, e enquanto não entra o touro, do que serei avisada pelo toque de corneta, vou correndo com a vista os camarotes, em muitos dos quais reconheço caras minhas conhecidas e, em alguns, os meus companheiros de viagem de bordo do Funchal.
Moniz Machado, por exemplo, num camarote próximo àquele em que me encontro, come, ao tempo, denodadamente milho torrado, e parece disposto a gozar a festa em todas as suas peripécias, com o seu infalível bom humor. Para este feliz mortal, não há melancolias nem tristezas, e este vale é bem mais de risos do que de lágrimas!
Toca dentro em pouco a corneta, a música ataca a canção do Toreador da Carmen de Bizet, os capas poem-se em posição, e o cavaleiro empunha a lança com que tem de defender-se, e ao triste cavalinho que monta…
13.9.12
Concretizar o sonho de Alice Moderno
Concretizar o sonho de Alice Moderno
Como se não bastasse
toda uma vida empenhada na defesa de várias causas, com destaque para proteção
dos animais, Alice Moderno, no seu testamento, deixou uma verba necessária para
a construção de um Hospital Veterinário, onde os animais de companhia, em
especial os pertencentes aos mais desfavorecidos da sociedade, pudessem ser
devidamente tratados.
Um arremedo de
hospital começou a funcionar, em 1948, num pequeno pavilhão pouco espaçoso na
rua Coronel Chaves, onde até há alguns anos funcionou o CATE. As suas minúsculas
dimensões e por se assemelhar mais a um canil do que a um hospital fizeram com
que o mesmo nunca tenha chegado a ser oficialmente inaugurado.
Mais tarde, a Junta
Geral do Distrito de Ponta Delgada construiu um edifício na Estação Agrária, em
São Gonçalo, com um pouco mais de espaço. O mesmo foi dotado do material e da
aparelhagem necessária, tendo a sua manutenção ficado a cargo dos rendimentos obtidos
através do legado da benemérita Alice Moderno.
Nos primeiros anos,
sob a administração da Sociedade Micaelense Protetora dos Animais, presidida
pela Dona Fedora Serpa Miranda, com a colaboração da Junta Geral, foi
assegurada a enfermagem permanente aos pequenos animais e a consulta diária a
animais de todas as espécies, através do veterinário municipal de Ponta
Delgada.
Hoje, não se pode
falar em hospital veterinário pois no espaço existente funciona um consultório
veterinário que era, pelo menos até há pouco tempo, assegurado por vários
médicos veterinários que exerciam as suas funções a título privado. Segundo Ana
Coelho, em 2009, o número de atendimentos era diminuto e ainda existia graças à
boa vontade dos Serviços de Desenvolvimento Agrário e dos especialistas que ali
trabalhavam diariamente.
Todos os anos, ultrapassa largamente
dois mil o número de animais de companhia (cães e gatos) que são abandonados,
acabando na sua maioria por serem abatidos nos canis municipais ou atropelados
nas estradas. A título de exemplo, só no canil de Ponta Delgada, em 2009 deram entrada 2088 animais, tendo sido
encaminhados para adoção cerca de 780, o que significa que foram abatidos cerca
de 1300. Em 2010, deram entrada no mesmo canil 2177 animais, tendo sido abatidos 1278.
No atual contexto
socioeconómico da região, onde muitas pessoas perderam emprego e apoios sociais
e têm dificuldades em cumprirem o pagamento de todas as despesas destinadas à
sua sobrevivência com dignidade, prevê-se que aumente o número de animais que
não terão o devido acompanhamento médico veterinário e que aumente o número de
abandonos.
O esforço que é feito pelas associações
de proteção dos animais, que se debatem com falta de meios e de apoios
públicos, acaba por ser muito modesto pois, através dele, só uma pequena parte
dos animais irá conseguir tratamento adequado e uma percentagem, também,
pequena dos abandonados conseguirá um novo lar.
Sabendo-se que
estamos perante um problema humanitário e de saúde
pública cuja resolução não pode depender, exclusivamente, do setor privado da
atividade médico-veterinária, a situação só poderá ser alterada se
a Região Autónoma dos Açores tomar as devidas medidas legislativas no
sentido da promoção, por um lado, da esterilização dos animais errantes,
como método eficaz do controlo das populações, e, por outro lado, do incentivo
à adoção responsável.
Por último, para que a
memória de Alice Moderno, pioneira da proteção dos animais nos Açores, seja
respeitada sugere-se a transformando o atual Hospital Veterinário Alice
Moderno, em São Miguel, em hospital público, onde os animais temporariamente
a cargo de associações de proteção de animais ou de detentores com dificuldade
ou incapacidade económica possam ter acesso a tratamentos a preços simbólicos.
Este hospital poderia
ser cogerido pelas associações de proteção dos animais com atividade, em São
Miguel, em parceria com o Governo Regional dos Açores. Assim, seria respeitado
o desejo de Alice Moderno que era que fosse assegurado tratamento “aos pobres
irracionais desprotegidos da sorte”.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 12 de Setembro de 2012)Concretizar
11.9.12
POR UMA NOVA POLÍTICA PARA COM OS ANIMAIS DE COMPANHIA
Bom dia
Para atingir um número razoável de assinaturas (500) para que a petição seja apresentada em plenário na Assembleia Legislativa Regional dos Açores faltam 125.
Se ainda não o fez e se concordar assine e divulgue o máximo possível.
Queria atingir a meta até ao fim desta semana, se tal não acontecer, a partir de segunda-feira vou para a rua recolher assinaturas em papel.
Pelos animais e muito obrigado
Teófilo Braga
Em 2010 deram entrada no canil de Ponta Delgada 2177 animais, 1278 foram abatidos.PARA QUE A VONTADE DE ALICE MODERNO SEJA RESPEITADAPOR UMA NOVA POLÍTICA PARA COM OS ANIMAIS DE COMPANHIASua Excelência Presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores,Suas Excelências Presidentes dos Grupos Parlamentares à ALRAA,Sua Excelência Presidente do Governo Regional dos Açores,
Ex.mas/os Senhoras/es,
Vimos, através deste instrumento de participação cívica, apelar à classe política e governativa da Região Autónoma dos Açores para que seja criada legislação que se traduza na tomada de medidas no sentido de combater o abandono de animais de companhia e controlar as populações de animais errantes;Considerando que atualmente, nos Açores, são abandonados milhares de animais de companhia e que grande parte destes acaba por ser abatida nos canis ou Centros de Recolha Oficiais (CRO);Considerando o contexto socioeconómico da região, onde muitas pessoas perderam emprego e apoios sociais e que têm dificuldades em cumprirem o pagamento de todas as despesas destinadas à sua sobrevivência com dignidade, o que tem levado a que aumente o abandono de animais de companhia;Considerando que o abandono de animais é um problema humanitário e de saúde pública cuja resolução não pode depender, exclusivamente, do setor privado da atividade médico-veterinária, ou da boa vontade das Associações, amigos e protetores de animais;Solicitamos que a Região Autónoma dos Açores tome as devidas medidas legislativas no sentido da promoção, por um lado, da esterilização dos animais errantes, como método eficaz do controlo das populações, e, por outro lado, do incentivo à adoção responsável.Solicitamos ainda que, seja respeitada a memória de Alice Moderno, pioneira da proteção dos animais nos Açores, transformando o atual Hospital Veterinário Alice Moderno, em São Miguel, em hospital público, onde os animais temporariamente a cargo de associações de proteção ou de detentores com dificuldade ou incapacidade económica possam ter acesso a tratamentos a preços simbólicos. Nas restantes ilhas, a função do Hospital Alice Moderno poderia ficar a cargo de um Centro de Recolha Oficial.
9.9.12
7.9.12
6.9.12
Número de animais entregues no canil de Ponta Delgada aumentou 20% este Verão
Crise, falta de adaptação família/animal e redução do espaço disponível são
principais factores apontados pelos donos
Há quem diga que gosta, mas que é demasiado grande, ou que vai mudar de casa, ou que com a crise já não tem dinheiro para o sustentar, ou que, afinal queria era um gato em vez de um cão, ou que até não sabia que era de uma raça potencialmente perigosa. Por estas e por muitas outras razões invocadas, as entregas de animais no Canil de Ponta Delgada aumentaram em 20%, enquanto que o número de abandonos decresceu. São menos os animais errantes e sem ninguém que lhes estenda a mão ou uma tigela de comida nas ruas da maior cidade açoriana, mas o facto é que, face a todas estas supostas “razões”, o número de abates, especialmente cães, semanalmente, já chega, em média, aos 40 animais. Semanalmente são doados 10 a 15 cães e gatos.
O Verão e as férias estão no fim. Que balanço é possível fazer-se ao nível do abandono de animais, tendo em conta ainda a tão badalada crise?
Ao contrário do que aconteceu nos últimos anos, temos assistido a mais entregas e menos abandonos. O número de capturas tem vindo a diminuir e notamos que as pessoas estão um pouco mais civilizadas e conscientes. No entanto, estamos a assistir a um aumento de casos de entregas ao canil municipal de Ponta Delgada, especialmente porque falamos de animais muito jovens, muitas vezes chegando ao cúmulo de chegarem animais que ainda nem são autónomos em termos de idade. Por uma razão ou por outra as pessoas entregam-nos aqui, ou abandonam-nos ao portão ou, até mesmo, atirá-los por cima do muro. Infelizmente, ainda se assiste a estas situações, e julgo que estas atitudes vêm de pessoas que não querem dar a cara. Inevitavelmente, o seu destino acaba por ser, na grande maioria das vezes, fatídico.
Estamos a falar de uma percentagem de entregas na ordem que quanto?
Ao nível das entregas, teremos cerca de mais 20% a mais do que nos anos anteriores.
As desculpas situam-se entre a mudança de casas para apartamentos e a redução de espaço disponível para ter os animais; a falta de adaptação e a crise. Também há quem venha trocar cães por gatos, ou até trocar um cão grande por um pequeno. Há de tudo. As raças perigosas também têm entrado com alguma abundância, uma vez que são animais que exigem algum dispêndio financeiro, nomeadamente o pagamento de seguros, alimentação específica, entre outras situações. Também a fiscalização sobre os donos aumentou e, para além disso, o facto de terem sido noticiados alguns casos de agressões que vitimaram algumas pessoas recentemente, tem também sido razão para algumas destas entregas, pela perda de confiança entre dono e animal ou até mesmo como forma de assegurar que os animais não serão perigosos para nenhum elemento do agregado familiar, nomeadamente quando existem crianças nestas casas.
Qual é, então, o destino destes animais?
Infelizmente é também o abate, tal como acontece com os que não são autónomos em termos de idade. Por semana estamos no Canil de Ponta Delgada a abater cerca de 40 animais, na sua grande maioria por estarem doentes ou velho ou então por serem demasiado novos para sobreviver ou pertencerem a raças ou cruzamentos de raças potencialmente perigosas.
No caso dos animais de raças que podem significar alguma perigosidade para os seres humanos, é sempre complicado conseguir a sua socialização. Por isso mesmo o destino acaba por ser sempre o abate.
Pela cadência normal deste Verão, os abates, semanalmente, atingem cerca de 40 animais. Não tanto pela lotação do canil, mas especialmente porque a política do canil tem sido a de realizar abates em animais que não têm qualquer potencial de adopção e não tanto por não termos espaço para os manter aqui.
Semanalmente temos cerca de 100 cães e 25 gatos. Essa é a nossa população média. Diariamente tanto podem dar entrada 20, como nenhum – o que acaba por ser um milagre. Doamos entre 10 a 15 por semana, muito embora haja alguns destes que acabam por voltar para o canil novamente, por motivos relacionados com a tal adaptação que não acontece.
BE/A quer mais centros de recolha licenciados
A Comissão Permanente de Economia reuniu no passado dia 24 de Julho a fim de apreciar e dar parecer sobre o Projecto de Resolução n.° 27/2012 - “Promoção do bem-estar animal e controlo das populações de animais errantes”, apresentado pelo Bloco de Esquerda, sendo que este documento visava, genericamente, recomendar ao Governo Regional a adopção de determinadas medidas no sentido da promoção do bem-estar animal e controlo das populações de animais errantes.
A iniciativa em apreciação defendia que “o quadro normativo legal em vigor sobre a protecção dos animais de companhia e a promoção do bem-estar animal, só por si, tem sido insuficiente para reduzir o número de animais de companhia errantes na Região Autónoma dos Açores, pelo que urge reunir medidas que o tornem consequente” e, segundo o BE, a implementação imediata de medidas justifica-se face à situação actual, da qual destaca: a existência de apenas um Centro de Recolha Oficial (CRO) devidamente licenciado na Região Autónoma dos Açores, o qual se situa em Ponta Delgada; a existência de vários municípios nos Açores que não têm veterinários municipais, os quais contribuem decisivamente para o cumprimento do quadro normativo legal inerente aos CRO.
Para além do mais, a iniciativa refere o registo de taxas de occisão superiores nos canis municipais que apresentam falta de condições para procederem a uma política de controlo reprodutivo dos animais recolhidos.
Assim, em concreto, para dar resposta ao quadro acima exposto, a iniciativa resolveu recomendar ao Governo Regional que “reforce o acompanhamento ao licenciamento dos centos de recolha oficiais, assegurando que são cumpridas as normas de saúde e bem-estar animal” e “promova uma política de não occisão dos animais errantes recolhidos nos centros de recolha oficiais, adoptando, nomeadamente, meios eficazes de controlo da reprodução” para além de promover e facilitar “a contratação de veterinários municipais”, prevendo ainda meios para que “os CRO detenham condições de alojamento adequadas e condições para a realização de tratamentos rnédico-veterinários, cumprindo, assim, as normas de saúde de bem-estar animal, bem como meios para que os CRO possam realizar a esterilização dos animais errantes recolhidos, em especial dos não reclamados nos prazos legais”.
Esta iniciativa legislativa salienta que o Governo regional deverá “promover a realização de campanhas de sensibilização pública e dos detentores de animais contra o abandono, assim como para a adopção responsável dos animais recolhidos nos CRO” e “preveja que os animais a cargo de associações de protecção dos animais ou de detentores em incapacidade económica possam aceder a tratamentos médico-veterinários, nomeadamente a prática de esterilização, a preços simbólicos, nos CRO”.
Outro dos pontos do documento apresentado refere que deve ser “facilitado o registo no SICAFE [Sistema de Identificação e Registo de Caninos e Felinos], por parte dos veterinários responsáveis pela colocação do chip nos animais.”
Há quem diga que gosta, mas que é demasiado grande, ou que vai mudar de casa, ou que com a crise já não tem dinheiro para o sustentar, ou que, afinal queria era um gato em vez de um cão, ou que até não sabia que era de uma raça potencialmente perigosa. Por estas e por muitas outras razões invocadas, as entregas de animais no Canil de Ponta Delgada aumentaram em 20%, enquanto que o número de abandonos decresceu. São menos os animais errantes e sem ninguém que lhes estenda a mão ou uma tigela de comida nas ruas da maior cidade açoriana, mas o facto é que, face a todas estas supostas “razões”, o número de abates, especialmente cães, semanalmente, já chega, em média, aos 40 animais. Semanalmente são doados 10 a 15 cães e gatos.
O Verão e as férias estão no fim. Que balanço é possível fazer-se ao nível do abandono de animais, tendo em conta ainda a tão badalada crise?
Ao contrário do que aconteceu nos últimos anos, temos assistido a mais entregas e menos abandonos. O número de capturas tem vindo a diminuir e notamos que as pessoas estão um pouco mais civilizadas e conscientes. No entanto, estamos a assistir a um aumento de casos de entregas ao canil municipal de Ponta Delgada, especialmente porque falamos de animais muito jovens, muitas vezes chegando ao cúmulo de chegarem animais que ainda nem são autónomos em termos de idade. Por uma razão ou por outra as pessoas entregam-nos aqui, ou abandonam-nos ao portão ou, até mesmo, atirá-los por cima do muro. Infelizmente, ainda se assiste a estas situações, e julgo que estas atitudes vêm de pessoas que não querem dar a cara. Inevitavelmente, o seu destino acaba por ser, na grande maioria das vezes, fatídico.
Estamos a falar de uma percentagem de entregas na ordem que quanto?
Ao nível das entregas, teremos cerca de mais 20% a mais do que nos anos anteriores.
As desculpas situam-se entre a mudança de casas para apartamentos e a redução de espaço disponível para ter os animais; a falta de adaptação e a crise. Também há quem venha trocar cães por gatos, ou até trocar um cão grande por um pequeno. Há de tudo. As raças perigosas também têm entrado com alguma abundância, uma vez que são animais que exigem algum dispêndio financeiro, nomeadamente o pagamento de seguros, alimentação específica, entre outras situações. Também a fiscalização sobre os donos aumentou e, para além disso, o facto de terem sido noticiados alguns casos de agressões que vitimaram algumas pessoas recentemente, tem também sido razão para algumas destas entregas, pela perda de confiança entre dono e animal ou até mesmo como forma de assegurar que os animais não serão perigosos para nenhum elemento do agregado familiar, nomeadamente quando existem crianças nestas casas.
Qual é, então, o destino destes animais?
Infelizmente é também o abate, tal como acontece com os que não são autónomos em termos de idade. Por semana estamos no Canil de Ponta Delgada a abater cerca de 40 animais, na sua grande maioria por estarem doentes ou velho ou então por serem demasiado novos para sobreviver ou pertencerem a raças ou cruzamentos de raças potencialmente perigosas.
No caso dos animais de raças que podem significar alguma perigosidade para os seres humanos, é sempre complicado conseguir a sua socialização. Por isso mesmo o destino acaba por ser sempre o abate.
Pela cadência normal deste Verão, os abates, semanalmente, atingem cerca de 40 animais. Não tanto pela lotação do canil, mas especialmente porque a política do canil tem sido a de realizar abates em animais que não têm qualquer potencial de adopção e não tanto por não termos espaço para os manter aqui.
Semanalmente temos cerca de 100 cães e 25 gatos. Essa é a nossa população média. Diariamente tanto podem dar entrada 20, como nenhum – o que acaba por ser um milagre. Doamos entre 10 a 15 por semana, muito embora haja alguns destes que acabam por voltar para o canil novamente, por motivos relacionados com a tal adaptação que não acontece.
BE/A quer mais centros de recolha licenciados
A Comissão Permanente de Economia reuniu no passado dia 24 de Julho a fim de apreciar e dar parecer sobre o Projecto de Resolução n.° 27/2012 - “Promoção do bem-estar animal e controlo das populações de animais errantes”, apresentado pelo Bloco de Esquerda, sendo que este documento visava, genericamente, recomendar ao Governo Regional a adopção de determinadas medidas no sentido da promoção do bem-estar animal e controlo das populações de animais errantes.
A iniciativa em apreciação defendia que “o quadro normativo legal em vigor sobre a protecção dos animais de companhia e a promoção do bem-estar animal, só por si, tem sido insuficiente para reduzir o número de animais de companhia errantes na Região Autónoma dos Açores, pelo que urge reunir medidas que o tornem consequente” e, segundo o BE, a implementação imediata de medidas justifica-se face à situação actual, da qual destaca: a existência de apenas um Centro de Recolha Oficial (CRO) devidamente licenciado na Região Autónoma dos Açores, o qual se situa em Ponta Delgada; a existência de vários municípios nos Açores que não têm veterinários municipais, os quais contribuem decisivamente para o cumprimento do quadro normativo legal inerente aos CRO.
Para além do mais, a iniciativa refere o registo de taxas de occisão superiores nos canis municipais que apresentam falta de condições para procederem a uma política de controlo reprodutivo dos animais recolhidos.
Assim, em concreto, para dar resposta ao quadro acima exposto, a iniciativa resolveu recomendar ao Governo Regional que “reforce o acompanhamento ao licenciamento dos centos de recolha oficiais, assegurando que são cumpridas as normas de saúde e bem-estar animal” e “promova uma política de não occisão dos animais errantes recolhidos nos centros de recolha oficiais, adoptando, nomeadamente, meios eficazes de controlo da reprodução” para além de promover e facilitar “a contratação de veterinários municipais”, prevendo ainda meios para que “os CRO detenham condições de alojamento adequadas e condições para a realização de tratamentos rnédico-veterinários, cumprindo, assim, as normas de saúde de bem-estar animal, bem como meios para que os CRO possam realizar a esterilização dos animais errantes recolhidos, em especial dos não reclamados nos prazos legais”.
Esta iniciativa legislativa salienta que o Governo regional deverá “promover a realização de campanhas de sensibilização pública e dos detentores de animais contra o abandono, assim como para a adopção responsável dos animais recolhidos nos CRO” e “preveja que os animais a cargo de associações de protecção dos animais ou de detentores em incapacidade económica possam aceder a tratamentos médico-veterinários, nomeadamente a prática de esterilização, a preços simbólicos, nos CRO”.
Outro dos pontos do documento apresentado refere que deve ser “facilitado o registo no SICAFE [Sistema de Identificação e Registo de Caninos e Felinos], por parte dos veterinários responsáveis pela colocação do chip nos animais.”
Autor: Ana Coelho
Correio dos
Açores, 5 de Setembro de 2012
5.9.12
3.9.12
Não ao abandono de animais, não aos canis de abate
Essa cadelinha fila de S.Miguel tem apenas 6 meses. Estava abandonada num terreno, e o Dr.Marco Melo veterinário da Clinica do Paim recolheu a cadelinha e levou-a consigo na bicicleta, Vejam só.... Essa menina precisa de dono para a adotar contate a nossa associação.
Assine a petição para minimizar o abandono e acabar com o massacre de animais nos canis:
Subscrever:
Mensagens (Atom)


