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10.8.17

Parque Zoológico da Povoação


A Associação Vegana dos Açores vem por este meio reforçar aquilo que tem vindo a referir vezes sem conta: o Parque Zoológico da Povoação tem de ser encerrado! Dizemos isso com toda a convicção, porque queremos defender quem por natureza não tem voz para o fazer.
O Parque Zoológico da Povoação, visto pelo Presidente da Câmara Municipal da Povoação como atração turística, encontra-se classificado na página “TripAdvisor” com 2.5 estrelas, onde 45% das pessoas considera este espaço terrível.
Este parque mancha a imagem dos Açores!
Sabendo que a tendência mundial é de encerrar este tipo de Parques. Porque razão continua este município a querer passar uma imagem irreal de que é uma atração turística?
Esta noticia do Açoriano Oriental vem reforçar toda a informação que a nossa Associação tem vindo a apresentar.
As respostas dadas pelo Presidente da Câmara Municipal da Povoação só demonstram a falta de sensibilidade perante esta situação, onde só conta o investimento. Como pode falar de melhoria de condições, se sabemos muito bem, que a exploração, transporte rotativo de animais vai continuar a existir?
Uma questão que levantamos, mas para a qual nunca obtivemos resposta por parte do município, foi a da morte de vários simios do parque, em que o caso foi completamente abafado! Sabemos que os simios morreram, pedimos esclarecimentos por email, nunca nos foi facultada uma resposta.
A verdade é que estes animais estão condicionados pela situação que lhes foi imposta, no entanto existem soluções muito melhores do que mantê-los confinados, aprisionados para toda a vida. Vários países viram como solução a introdução dos animais em refúgios, reabilitação e tentativa de re-introdução nos seus habitats.
Em época de eleições convinha que houvesse transparência em todo este assunto. Apelamos em nome das mais de 1000 pessoas que assinaram a petição para o encerramento do parque zoológico que haja esclarecimentos, que não sejam dadas as respostas “cliché” dos investimentos que têm de ser feitos, ou de melhoria de condições sem se explicar como será investido o dinheiro. Ora, num dia era para o transporte rotativo de animais entre Lisboa e a Povoação, no dia seguinte já era para quartos de enfermaria de animais...queremos respostas!
Enquanto para nós são 5 minutos de entretenimento, para estes animais é uma vida inteira de tortura!
Jessica Pacheco
(Presidente da Associação Vegana dos Açores)

21.3.17

Um parque zoológico que condena a Povoação ao ostracismo



Um parque zoológico que condena a Povoação ao ostracismo

Nos primeiros dias de fevereiro, foi divulgado um "Livro Negro do Parque Zoológico da Povoação" e um manifesto assinado por cerca de 100 pessoas propondo o encerramento daquele espaço que estará aberto há alguns anos apesar de desrespeitar a legislação em vigor.

Para os autores dos documentos mencionados, o parque zoológico tal como está ou com a remodelação anunciada, para além de não passar de uma prisão para os animais, não beneficia a economia local e, pelo contrário, é motivo para afastamento de visitantes ao centro da vila.

Para além dos relatos presentes, no livro citado, de cidadãos, sobretudo de outros países, que descrevem as más condições existentes para os animais, recebemos e divulgamos o depoimento de uma sócia de uma conhecida Agência de Viagens que afirmou ser "chocante" e "uma verdadeira vergonha… tratar animais dessa maneira", e acrescentou o seguinte: "Quando tenho grupos de turistas prefiro não parar no centro de Povoação para não mostrar uma vergonha e um crime …. A Camara devia fechar o espaço".

Sobre o referido parque no início deste ano circularam notícias que referem a morte, numa mesma semana, de dois macacos, um babuíno e um macaco-verde, sem que até hoje os responsáveis pelo espaço, indagados por uma associação local, tenham dado uma explicação para tal.

Termino, referindo que não se compreende que um espaço que não respeita a legislação, nomeadamente o Decreto-Lei nº 59/2003, de 1 de abril, alterado pelo Decreto-Lei nº 104/2012, de 16 de maio, continue aberto ao público, contribuindo para dar uma má imagem de um concelho que possui um património natural único no mundo, a freguesia das Furnas com todas as suas manifestações de vulcanismo e com os seus jardins botânicos e já possuiu uma rede de trilhos pedestres que metia inveja aos restantes concelhos da ilha.

Ao contrário do que propalam os autarcas a atração pelo centro da Vila não se fará só pelas fofas e muito menos pela remodelação do Parque Zoológico.

Ponham a imaginação a funcionar!

Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 31185, 21 de março de 2017, p. 13)

13.12.16

Ainda sobre zoológicos


Ainda sobre zoológicos

No momento em que escrevo este texto mais de mil e cem pessoas já subscreveram uma petição dirigida ao presidente da Câmara Municipal da Povoação, pedindo para que o mesmo repense o projeto de recuperação do chamado parque zoológico e procure uma alternativa que não implique a manutenção de animais em cativeiro.

O sucesso da petição, lançada por pessoas que acompanham a situação daquele espaço, situado no centro da Povoação, pelo menos desde 2009, deve-se ao facto de não só no estrangeiro, mas também entre nós ser cada vez maior o número de pessoas preocupadas com os direitos dos animais.

A preocupação crescente, a nível mundial, com a situação dos animais e com a deseducação dos humanos associada à criação de animais selvagens em cativeiro tem levado ao encerramento de muitos zoológicos ou à sua reconversão.

De acordo com um “dossier” da responsabilidade do Projeto ZOOXXI, entre os países que têm fechado mais parques e jardins zoológicos estão os Estados Unidos, a China, a Inglaterra, a Austrália e o Canadá.

Ainda segundo o mesmo Projeto, as principais causas para o encerramento de zoológicos são as crises económicas, as condições precárias e um inadequado manejo dos animais e a pressão pública para a sua melhoria ou eliminação, quando estão a causar danos aos animais ou mesmo a prejudicar a imagem das localidades onde estão instalados.

O conhecido escritor inglês Desmond Morris, responsável durante dez anos pelos mamíferos do Zoo de Londres, um dia afirmou: “Sei que os bons jardins zoológicos são importantes por muitas razões, mas aprendi o suficiente para me aperceber dos danos causados aos animais ao mantê-los cativos. E simplesmente não quis continuar”


De entre as razões importantes referidas por Desmond Morris, estarão a função educativa e o seu papel na conservação das espécies, as quais são contestadas por vários autores.

No que diz respeito à sua função educativa, o facto dos animais enjaulados em pequenos recintos apresentarem comportamentos anormais em nada contribui para o real conhecimento das diversas espécies.

Alguns pedagogos sustentam mesmo que o cinema, a televisão, as animações informáticas constituem um recurso muito mais útil do que os parques zoológicos.

A segunda ideia, a de que os jardins zoológicos contribuem para a preservação de algumas espécies com vista à sua reintrodução na natureza, é também posta em causa pelos autores que vimos citando. Com efeito, aqueles autores referem que são muito poucos os casos em que tal aconteceu e mencionam o facto de nos anos 90 das três mil espécies em cativeiro em zoológicos apenas 66 estavam em vias de extinção.

No ano 2000, a presidente da Liga Para a Protecção da Natureza, afirmou que “o que se verifica é que os parques zoológicos são meras instituições de atividades lúdicas e até de alguma exploração animal ligada a atividades financeiras, quase industrializadas.”

De então para cá pouco se modificou e no caso da Povoação, para além da manutenção dos animais em condições precárias, mesmo ilegais perante a legislação em vigor, o parque nunca teve nem tem condições para ter uma função pedagógica nem nenhum papel para a conservação de espécies e é insuficiente querer aumentar o tamanho das jaulas quando o que importa é mudar de paradigma.

Termino, apelando ao bom senso da Câmara Municipal da Povoação e citando um comentário, deixado na página web da petição referida no início, de Milou van Mulken, que visitou o local e não gostou: “Eu vi pessoas dando cigarros aos macacos !! E não havia pessoal responsável para evitar que tal fosse feito. Este não é lugar para macacos. Muito pequeno e eles parecem deprimidos.”


Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 31103, 14 de dezembro de 2016, p.16)

22.11.16

São Miguel precisa de um zoológico?


São Miguel precisa de um zoológico?


Com o aumento do número de visitantes à ilha de São Miguel, nos últimos tempos, quase só se pensa em sacar dinheiro aos mesmos, não importa como e com que custos, nomeadamente ambientais. Há quem venda gato por lebre, como peças de “artesanato” que nada têm de açoriano e há quem imagine novas atrações que já tiveram a sua época, mas que hoje estão completamente ultrapassadas, como aquários e zoológicos.

Não me vou pronunciar sobre o anunciado aquário para Ponta Delgada porque os governantes já deram o seu aval, embora não queiram assumir a sua responsabilidade se o dito for à falência por falta de visitantes. Para poderem lavar as mãos inventaram a realização um referendo que à partida terá uma participação ridícula, pensando que a vitória do sim ao mesmo é mais do que garantida, pois uma população desinformada e deseducada facilmente opta pela megalomania e por música mesmo desafinada e roqueiras.

Nadando a favor da maré, tal como faz o peixe moribundo, a Câmara Municipal da Povoação, depois da desistência do Nordeste em criar um jardim zoológico, anuncia que vai investir cerca de 250 mil euros para remodelar o seu parque zoológico pois segundo ela atrai turistas e crianças.

Não posso negar que o referido parque não atraia visitantes e a prova foi que, por curiosidade, e por já ter ouvido falar tão mal da situação em que se encontravam os animais, o ano passado lá fui e saí desolado com o que vi e com o que ouvi de alguns continentais que tal como eu tiveram a oportunidade de ver os macacos a comerem uma pomba que havia ficado detida na prisão onde eram obrigados a sobreviver.

Mas o meu desapontamento ainda é maior ao saber que gente jovem que está à frente dos destinos da autarquia pensa como pensavam os velhos do século XIX, com a agravante de quererem, para não maçar as vistas, fazer a rotação dos animais em exposição, com animais vindos de Lisboa. A que preço para os contribuintes e com que custos para os animais?

Esta ideia enclausurar animais não é de hoje. Com efeito, em 1972, houve uma tentativa de criar um mini zoológico e um aquário em Ponta Delgada, no Parque da Cidade (Jardim António Borges).

De acordo com informações colhidas, já havia a possibilidade de conseguir, a título gratuito, alguns animais nas Províncias Ultramarinas bem como o seu transporte. O Dr. Carlos Medeiros, na altura, defendeu que não fosse sacrificado o Jardim António Borges e que fosse adquirido um terreno “situado no lado nascente daquele jardim para ali se ir instalando o futuro Mini-Zoo” e acrescentou que “no referido terreno se encontra um edifício que poderia, salvo melhor opinião, ser utilizado para se instalar um aquário nos moldes do que foi proposto por nós à Exma. Comissão Executiva da Junta Geral em 8 de maio de 1970”.

Não sei porque falhou a criação do zoológico e do aquário, mas uma explicação plausível foi dada através do seguinte diálogo, entre caçadores, publicado no jornal “A Ilha”:

“ Ouvi que vamos ter um jardim Zoológico? Não é como o de Lisboa, mas será coisa para se ver. Diz que a Câmara é que faz isso? Creio que sim, amigo Xico. Mas por todos os lados se diz que a Câmara não tem dinheiro e até o preço das licenças dos cães subiu, etc.. Como é isso? Os passeios das ruas da cidade mal-amanhados e outras necessidades urgentes mas não há bala, para o Zoo vai aparecer. O que diz o irmão? Ó Xico os tempos são outros e há dinheiro apenas para o que convém…

Passados mais de 40 anos, o que não terá sido feito por falta de dinheiro ou porque o mesmo era usado com parcimónia, volta a estar em discussão.

A grande diferença é que hoje faz-se muita asneira por haver dinheiro a mais e por não haver qualquer receio dos projetos não serem bem-sucedidos pois, quer sejam públicos ou privados, o contribuinte é que acaba por os pagar.

Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 31087, 23 de novembro de 2016, p.16)

6.2.10

No Nordeste, ilha de São Miguel (Açores) vai nascer um elefante



Depois da experiência falhada de criar e manter um Parque Zoológico no Pico da Pedra por parte de um privado, o qual chegou a ter alguns animais sem quaisquer condições de segurança e de espaço que garantisse as mínimas condições para os animais, assiste-se à aberração que é a Câmara Municipal da Lagoa manter em cativeiro um macaco numa gaiola num jardim em Santa Cruz e à teimosia da Câmara Municipal da Povoação em persistir em manter, em local de segurança duvidosa e sem condições, um conjunto de animais presos no denominado Parque Zoológico da Povoação.

Relativamente à Povoação, tivemos a oportunidade de ouvirmos o veterinário responsável pelo espaço dizer, na RTP - Açores, que o futuro do parque seria definido pelas escolas em termos das suas necessidades educacionais. Se a continuação daquele espaço, mesmo em condições mais dignas para os animais, depender das escolas podemos estar descansados já que os seus dias estarão contados pois a observação de animais em cativeiro, com comportamentos alterados por este facto, não tem a mínima importância em termos do ensino da biologia ou da ecologia e muito menos da educação ambiental. Para esta temos os nossos espaços naturais, com a sua flora e fauna características que muitos mais ensinamentos nos podem dar do que animais encaixotados apenas para satisfazer as mentes doentias de alguns.

Insensível a todos os argumentos contra a criação de Parques Zoológicos, o presidente da Câmara Municipal de Nordeste, persiste na criação de um no seu concelho, sabendo que o mesmo não estará ao serviço da educação das novas gerações, já que um bom filme/documentário desempenhará melhor este papel, em nada contribuirá para um melhor conhecimento dos animais e não será no zoológico de Nordeste que será feito algo para evitar a extinção de qualquer espécie.

Assim, o que faz correr a Câmara Municipal de Nordeste?

A ilusão de que o concelho ficará inundado de resmas de turistas, contribuindo para melhorar a fraca economia dos nordestenses?

Os tempos dirão, mas estamos certos que tal não acontecerá e no Nordeste nascerá um elefante branco cuja manutenção ficará a cargo do erário público enquanto vida tiver.

Pico da Pedra, 6 de Fevereiro de 2010

Teófilo Braga

20.10.09

Jardim zoológico da Povoação ou Prisão



Jardim zoológico da Povoação

Uma visita à histórica vila da Povoação, em São Miguel, permite confrontar-nos com um espectáculo bastante penoso e deprimente. No centro da vila podemos encontrar um pequeno jardim em cuja porta se exibe uma placa com o surpreendente nome de “Parque Zoológico”.

No interior, encontramos uma série de gaiolas de muito reduzidas dimensões nas quais estão fechados uma série de animais, tanto silvestres como domésticos. As condições em que estão conservados estes animais são bastante deploráveis. É um espectáculo que faz lembrar as tristes colecções zoológicas de há dois séculos. Os turistas que chegam a visitar este jardim ficam normalmente incomodados e cheios de pena dos animais.

Num canto do jardim, encontramos umas gaiolas maiores com uns macacos. Um cartaz avisa para não se aproximar da gaiola na qual estão fechados dois babuínos, anunciados como potencialmente perigosos. Com aparência inocente, um deles estica a mão pedindo comida. Ao lado estão outros cinco macacos, mais pequenos, de aspecto triste e melancólico.

Num dos lados, há uma construção estreitíssima dividida em várias gaiolas que são simples caixas de cimento, onde se encontram fechados uma série de papagaios. Dois deles são araras, aves de grande porte, fechados em gaiolas diferentes. Nelas têm um único poleiro no qual pousar-se, sem nunca poder voar minimamente. Um deles percorre desesperadamente a tripla rede metálica que o separa dos visitantes. Outros papagaios mais pequenos, gritando estridentemente, estão fechados em gaiolas sobrelotadas e igualmente sujas.

Há também outras casinhas com pássaros exóticos. Numa delas, há indivíduos de bico de lacre, uma espécie considerada invasora e que, portanto, devia estar numas instalações muito mais seguras. Junto a ela, há algumas espécies nativas como estorninhos, melros ou canários. O melro exibe uma cauda esburacada pelos parasitas. Noutras construções do jardim há animais domésticos, em principio menos problemáticos, fechados também em gaiolas mínimas e sujas.

Este jardim zoológico, pertencente à câmara municipal, não parece cumprir nenhuma das regras exigidas pela actual legislação. Segundo o Decreto-Lei n.º 59/2003 (transposição nacional da Directiva europea n.º 1999/22/CE), os parques zoológicos devem, de forma necessária e obrigatória, alojar os animais em condições que assegurem o seu bem-estar. Devem, por exemplo, proporcionar aos animais um espaço adequado à exibição de comportamentos naturais. Mas também devem cumprir adequados padrões de higiene. Todos os animais devem ter tratamento médico veterinário regular e ser cuidados por pessoal técnico competente. Para além disso, os parques zoológicos têm a obrigação de educar o público no que respeita à preservação da biodiversidade, para o qual devem possuir e executar um programa pedagógico. Caso contrário, o jardim deve ser encerrado.

Em resumo, os animais devem ser tratados dignamente, e não como simples objectos ou brinquedos. O espectáculo degradante de animais fechados em gaiolas mínimas e sujas não dignifica os animais, mas também não dignifica os visitantes do jardim nem a própria vila da Povoação.



***

Lista das principais espécies presentes, para além de diversas espécies ou variedades domésticas:

MAMÍFEROS:

Primates: Papio cynocephalus (2), Cercopithecus aethiops (5).

AVES EXÓTICAS:

Psittacidae: Ara ararauna (1), Ara chloroptera (1), Cyanoliseus patagonus (6), Melopsittacus undulatus (14). (Nota: o número de espécies tem-se reduzido, já que em 2003 havia ainda Pseudeos fuscata, Poicephalus senegalus, Psittacula krameri e Nymphicus hollandicus.)

Estrildidae: Estrilda astrild (3), Taeniopygia guttata (7).

Galliformes: Chrysolophus pictus, Lophura nycthemera, Numida meleagris, Pavo cristatus.

AVES NATIVAS:

Sturnus vulgaris (1), Turdus merula (1), Serinus canaria (4).

Fonte: Os Verdes- Açores