6.6.15
Em defesa das nossas aves
Em Defesa da Avifauna Açoriana
Para: Governo Regional dos Açores, Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, Comissão Europeia, Parlamento Europeu, UNESCO.
Pela conciliação da proteção das espécies com uma exploração agrícola sustentável.
O Governo Regional dos Açores decidiu permitir pela primeira vez o abate de três espécies de aves protegidas dos Açores: o Pombo-torcaz, o Melro-preto e o Estorninho, em zonas de cultura da vinha das ilhas do Pico e da Terceira (Despachos n.º 378/2015 e n.º 1057/2015). Face a esta deliberação, vimos manifestar o seguinte:
As aves nativas dos Açores são únicas no mundo e possuem um elevado valor natural, desempenhando um papel fundamental na manutenção dos frágeis e ameaçados ecossistemas insulares. Assim acontece com o Pombo-torcaz-dos-Açores (Columba palumbus azorica), com o Melro-preto-dos-Açores (Turdus merula azorensis) e com o Estorninho-dos-Açores (Sturnus vulgaris granti), subespécies só existentes no nosso arquipélago e cuja conservação é fundamental e deve ser motivo de orgulho para todos os açorianos.
A legislação europeia confere a máxima proteção ao Pombo-torcaz-dos-Açores, proibindo expressamente o seu abate (Directiva Aves, Anexo I). Proíbe igualmente o abate de qualquer espécie protegida durante o seu período reprodutor, como é o caso de qualquer uma das três espécies aqui mencionadas: o Pombo-torcaz, o Melro-preto e o Estorninho. Por esta razão a presente autorização é claramente contrária à legislação europeia, e também à legislação nacional e regional dela derivada.
As razões utilizadas agora pelo Governo Regional dos Açores para justificar esta autorização são a existência de um excesso de população destas aves e os estragos causados à agricultura. Do nosso ponto de vista, esta medida, que dizem excecional, carece de uma sólida sustentação científica, pois não são conhecidos quaisquer inventários, e não é conhecida nenhuma avaliação minimamente rigorosa dos danos que estas espécies ocasionam.
Em qualquer sociedade moderna toda a actividade económica, onde a agricultura se inclui, deve respeitar limites e regras, não sendo aceitável que essa actividade atente contra as pessoas, a natureza ou o ambiente.
Uma agricultura que se quer sustentável e com futuro deve adotar necessariamente um modelo de atividade integrado e em harmonia com a natureza, com um respeito crescente pelo ecossistema nativo no qual se insere. Os possíveis e eventuais danos criados sobre as culturas pela fauna nativa devem ser minimizados por métodos não violentos, dos quais existe uma grande variedade, desde os mais tradicionais até aos mais inovadores, como são as culturas alternativas, as proteções com redes ou a utilização de diversos dispositivos afugentadores. E quando tal não for possível os agricultores deveriam ser compensados pela perda de rendimentos.
A Paisagem da Cultura da Vinha da ilha do Pico foi reconhecida pela UNESCO como parte do Património Mundial por ser um exemplo de desenvolvimento sustentável, integrando uma actividade humana tradicional com a manutenção dos seus valores naturais e da biodiversidade. A sua área inclui ainda locais únicos e biótopos de um elevado valor para a conservação. Estes valores e este reconhecimento internacional devem ser potenciados e não colocados em causa.
Assim, nós cidadãos pedimos:
- A retirada imediata dos Despachos governamentais que autorizam a caça destas espécies nativas protegidas.
- A implementação de medidas para criar nas culturas da vinha um modelo de agricultura sustentável e respeitador do ambiente e da natureza.
- Uma decidida aposta no ecoturismo como factor de desenvolvimento das nossas ilhas, nomeadamente da Paisagem da Cultura da Vinha.
Assine aqui: http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=DefesaAvifaunaAcores
20.5.15
Com o nome de Alice Moderno
Com o nome de Alice Moderno
No passado dia 6 de Maio, o diretor Regional da Agricultura, Fernando Sousa apresentou, na Escola Básica Integrada dos Arrifes, o projeto “Alice Moderno” que tem por objetivo a luta “contra o abandono e maus tratos a animais”.
De acordo com as notícias publicadas o projeto limita-se à “colocação de 'outdoors' nas ruas, distribuição de cartazes e folhetos informativos nas escolas e postos da RIAC”. Não percebi se no âmbito do mesmo será instalado no chamado Hospital Alice Moderno o tão reclamado, pelos ecologistas, Centro de Recuperação de Aves Selvagens do Grupo Oriental.
Em primeiro lugar queria felicitar todos os que, a nível oficial, contribuíram para que este primeiro passo tenha sido dado, mas não queria que passasse despercebido que para se chegar aqui houve o empenho de muitos cidadãos, através de petições à ALRA, artigos de opinião e de muito trabalho, no dia-a-dia, em defesa de uma sociedade melhor para todos, humanos e não humanos.
A notícia oficial da apresentação do projeto refere “a presença de cães da Associação Animais de Rua” que é uma entidade que me merece todo o respeito pelo notável trabalho que está a fazer na ilha de São Miguel em prol dos cães e sobretudo dos gatos maltratados e abandonados por seres que se dizem humanos. Contudo, estranhei a referência aos cães e nenhuma menção às pessoas que são quem implementa as atividades, bem como a não alusão às demais associações de proteção das animais sedeadas na ilha de São Miguel e que, na medida das suas possibilidades, trabalham para a mesma causa. Será que foi apenas esquecimento do redator da notícia ou a APA- Associação de Proteção dos Animais dos Açores, a Cantinho dos Animais dos Açores e a AVIPAA- Associação Vilafranquense de Proteção dos Animais e do Ambiente foram esquecidas?
Um projeto como o que vimos referindo não terá o sucesso que é exigido se se ficar pelos cartazes e “outdoors” e pelos gabinetes do RIAC e ignorar os principais agentes da defesa animal que são os cidadãos sensíveis e as diversas associações existentes, bem como os educadores e professores que trabalham nas escolas açorianas.
A propósito do parágrafo anterior, já que se está a invocar o nome de Alice Moderno, é importante não esquecer que, logo que assumiu a presidência da Sociedade Micaelense Protetora dos Animais, em 1914, uma das primeiras medidas por ela tomada foi o envio de uma comunicação aos professores “pedindo-lhes para que, mensalmente, façam uma prelecção aos seus alunos, incutindo no espírito dos mesmos a bondade para com os animais, que não é mais do que um coeficiente da bondade universal”.
Outra iniciativa no âmbito do referido projeto é a criação, em parceria com a Delegação dos Açores da Ordem dos Médicos Veterinários, do “Voucher Alice Moderno” que não sabemos se será a adaptação de uma iniciativa que já existe a nível nacional ou se se trata de algo novo. Sobre este, pouco temos a dizer, mas tudo o que vier por bem é bem-vindo.
Por último, é preciso não esquecer que, em 2012, os subscritores da petição “ Por uma nova política para com os animais de companhia” reivindicavam mais, muito mais, do que foi agora anunciado.
Para que não caia no esquecimento aqui vai o pretendido:
“Solicitamos que a Região Autónoma dos Açores tome as devidas medidas legislativas no sentido da promoção, por um lado, da esterilização dos animais errantes, como método eficaz do controlo das populações, e, por outro lado, do incentivo à adoção responsável.
Solicitamos ainda que, seja respeitada a memória de Alice Moderno, pioneira da proteção dos animais nos Açores, transformando o atual Hospital Veterinário Alice Moderno, em São Miguel, em hospital público, onde os animais temporariamente a cargo de associações de proteção ou de detentores com dificuldade ou incapacidade económica possam ter acesso a tratamentos a preços simbólicos. Nas restantes ilhas, a função do Hospital Alice Moderno poderia ficar a cargo de um Centro de Recolha Oficial.”
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 30634, 20 de maio de 2015, p.14)
17.5.15
15.5.15
Pelas nossas tradições, não a touradas e vacadas – Escreva ao Senhor Bispo de Angra e Ilhas dos Açores
Pelas nossas tradições, não a touradas e vacadas – Escreva ao Senhor Bispo de Angra e Ilhas dos Açores
Envie um e-mail ao senhor Bispo, com conhecimento ao Exmo. Sr. Presidente da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, ao Exmo. Senhor Presidente da Assembleia Municipal de Vila Franca do Campo, ao Exmo. Senhor Presidente da Junta de Freguesia de Ponta Garça e ao Exmo. Senhor Presidente da Assembleia de Freguesia de Ponta Garça e ao senhor padre da Paróquia de Ponta Garça.
Contatos: rcouto@cmvfc.pt, cmartins@cmvfc.pt, jfpontagarca@gmail.com, avipaa.associacao@gmail.com, info@igrejaacores.pt , diocese.angra@iol.pt, amigosdosanimaisvilafranca@gmail.com
Texto a enviar:
Senhor Bispo Dom António de Sousa Braga
Tomei conhecimento de que a Irmandade do Espírito Santo dos Aflitos- Boavista pretendia promover uma tourada que depois alterou para vacada, no próximo dia 24 de Maio na freguesia de Ponta Garça e que a mesma não foi autorizada pela Câmara Municipal de Vila Franca do Campo.
Como deve ser do seu conhecimentos touradas e outros espetáculos com bovinos não são tradição no concelho de Vila Franca do Campo, sendo espetáculos degradantes em todo o mundo, pois significam desrespeito pelos animais e risco de vida para os humanos.
No caso presente, a situação é mais grave pois o evento é organizado por uma instituição, que está associada à Igreja Católica, e que, segundo informações colhidas, pretende desrespeitar a legislação em vigor e a decisão unânime do executivo camarário.
Para além do referido, a tourada/vacada é um meio de desviar dinheiro que devia ser usado na ajuda à sua paróquia, na solidariedade social e no são convívio entre os habitantes de Ponta Garça.
Assim, venho solicitar a Vossa Excelência a tomada de medidas no sentido de impedir que na freguesia de Ponta Garça, uma instituição associada à Igreja Católica desrespeite a lei.
Com os melhores cumprimentos
(Nome)
6.5.15
Projecto Alice Moderno
Governo dos Açores promove Projeto 'Alice Moderno' contra abandono e maus tratos a animais
O Diretor Regional da Agricultura destacou hoje, no lançamento de uma campanha regional de sensibilização contra o abandono e maus tratos a animais de companhia, a importância do envolvimento de vários departamentos do Governo dos Açores e das parcerias estabelecidas com diversas entidades para o desenvolvimento do Projeto 'Alice Moderno'.
“Não podemos, e é essa a mensagem que vos queremos passar, ficar indiferentes. Não maltratamos, não abandonamos e também não ficamos indiferentes quando o vimos. Denunciamos, ajudamos”, afirmou Fernando Sousa na apresentação da campanha, que também foi feita em língua gestual e decorreu na Escola Básica e Integrada dos Arrifes, em S. Miguel.
Fernando Sousa frisou que foi nesse sentido que o Governo dos Açores decidiu criar o Projeto Alice Moderno, salientando que Alice Moderno foi a fundadora, em 1911, da Sociedade Micaelense Protetora dos Animais.
“Legou os seus bens a diversas causas de beneficência, como o hospital, com o seu nome, destinado a acolher animais maltratados”, afirmou o Diretor Regional, acrescentando que será instalado nesse espaço o Centro de Recuperação de Aves Selvagens do Grupo Ocidental, numa parceria entre as direções regionais da Agricultura e do Ambiente.
Para Fernando Sousa, que falava em representação do Secretário Regional da Agricultura e Ambiente, “este projeto – no espírito de Alice Moderno - pretende contribuir para uma sociedade mais atenta ao bem-estar animal, sensibilizando e informando como cada um de nós pode, com um gesto simples, fazê-lo”.
Dirigindo-se aos alunos da Escola Básica e Integrada dos Arrifes, numa apresentação conjunta com a Ordem dos Médicos Veterinários, a Associação de Municípios dos Açores e a Associação Nacional de Freguesias, Fernando Sousa destacou a importância de juntar “esforços e vontades” e do papel que cada um dos jovens pode ter na “consciencialização para a proteção dos animais”, na promoção do seu bem-estar e na proteção da saúde pública.
Além desta campanha que vai ser promovida em todas as ilhas dos Açores através da colocação de 'outdoors' nas ruas, distribuição de cartazes e folhetos informativos nas escolas e postos da RIAC, será, em breve, lançada mais uma iniciativa no âmbito deste projeto, o denominado 'Voucher Alice Moderno', em parceria com a Delegação dos Açores da Ordem dos Médicos Veterinários.
“É um apoio para todas as famílias que, gostando muito e querendo mesmo tratar bem dos seus animais, estão com dificuldades em fazê-lo”, adiantou o Diretor Regional.
Na apresentação hoje realizada, que contou com a presença de cães da Associação Animais de Rua, foram distribuídas camisolas e panfletos da campanha aos alunos da EBI dos Arrifes.
GaCS/OG
29.4.15
A miopia da Visão
Envie o texto abaixo ou outro da sua autoria à revista Visão.
endereços: visão7@impresa.pt, visaoagendaporto@impresa.pt, ipublishing@impresa.pt, visao@impresa.pt,
A miopia da Visão
A 19 de março de 2015, o suplemento Sete da revista Visão da responsabilidade dos enviados Miguel Judas (Faial, Pico e São Jorge) e Vanessa Rodrigues (Terceira, São Miguel e Santa Maria) apresenta 100 razões para ir aos Açores.
Para além do esquecimento de duas ilhas, Corvo e Flores, a razão número 22 é uma não razão já que se refere ao espetáculo decadente, arcaico e desumano que são as touradas à corda na ilha Terceira, anualmente são responsáveis por mortos e feridos tanto em bovinos como em seres humanos.
Os autores do texto (ou a autora?) possivelmente não tiveram acesso aos vídeos das marradas profundamente difundidos na ilha Terceira e na internet (https://www.facebook.com/goshfatherjinco/videos/763458763769622/) que mostram a bestialidade e desumanidade da "festa tauromáquica, tradicional dos Açores", nem acesso aos dados dos gastos de saúde derivados das idas e internamentos nos hospitais por causa das touradas à corda e dos apoios, inclusive europeus recebidos pelos criadores de gado bravo, de tal modo que a importância das mesmas, é segundo eles, aferida pela existência de 13 ganadarias registadas.
Enfim, é com muita pena que vemos uma revista conceituada tratar o assunto com uma ligeireza nada digna dos seus pergaminhos..
Cumprimentos
(Nome)
14.4.15
11.3.15
Contra as touradas
Sobre
a oposição às touradas na ilha de São Miguel, no século XIX
É
antiga, não há qualquer dúvida, a prática de maltratar animais, tal como àquela
sempre esteve associada a oposição aos maus tratos. O caso dos maus tratos na
tauromaquia não foge à regra, havendo ao longo dos tempos várias vozes que se
opuseram à mesma em todos os países do mundo onde aquela existe ou já existiu.
No
século XIX, a oposição à tauromaquia, na ilha de São Miguel, também foi feita
através das páginas dos jornais “O Repórter” e “O Sul”.
“O
Repórter”, dirigido por Alfredo da Câmara, um dos fundadores da Sociedade
Micaelense Protetora dos Animais, no dia 11 de Abril de 1897, num texto
intitulado “Guerra de Morte às touradas” para além de criticar a tauromaquia,
faz ironia com as reportagens tauromáquicas e satiriza os jornais que a
promovem.
Sobre
os jornais podemos ler o seguinte:
“Assim, vai dedicando à santa missão da educação do
povo, extensos artigos em que relata até às últimas minudências as peripécias
selváticas acontecidas nas touradas, soltando ao mesmo tempo profundos e
dolorosos gemidos porque os touros perderam a ferocidade que apresentavam
noutro tempo.
Estas lamentações fazem-nos crer que o touro é menos
refratário à civilização do que o próprio homem, pois que vai diminuindo de
ferocidade, enquanto o homem aumenta.”
Sobre
os repórteres, o extrato seguinte diz-nos tudo sobre o pensamento do autor do
texto:
“…Segue-se àquela interessantíssima narração uma
outra em telegrama de Valência referindo que “os touros de Saltillo saíram muito bons”.
Se cá os houvesse assim, pagava-se com certeza o
deficit.
“Morreram 14
cavalos”, diz ainda o telegrama.
Não pode haver espetáculo mais comovente e que
melhor satisfaça um coração bem formado do que ver morrer 14 cavalos, em agonia
prolongadíssima com o corpo transformado num crivo, deixando passar pelos
buracos os intestinos, arrastando-os pela arena e pisando-os muitas vezes com
as próprias patas!
O selvagem do correspondente do “Século” devia exultar
de satisfação todas as vezes que via desaparecer as armas do touro no corpo de
um misero cavalo, que recebia assim o pagamento dos serviços que prestou ao
homem durante toda a vida trabalhando para ele!
Termina o selvagem a sua notícia dizendo que “foi uma corrida magnífica”!...
Por
seu lado, o jornal semanal “O Sul”, que se publicou em Vila Franca do Campo, em
Julho de 1898, ridicularizou os espanhóis aficionados das touradas, através de
um texto magistral que, com as devidas alterações e atualizações se aplica ao
que está a acontecer hoje na ilha Terceira, onde perante uma situação que
poderá ser dramática para a mesma, em termos de aumento de desemprego, com a
saída de militares norte-americanos da Base das Lajes, as “elites” quase só
pensam em tornar as touradas ainda mais sangrentas. Para memória futura e
porque é mais esclarecedor do que uma síntese, aqui fica um excerto do texto
mencionado:
“Viva los Toros
Ao passo que em Cuba e
nas Filipinas os soldados espanhóis caem varados pelas balas dos insurgentes, a
população de Madrid entrega-se levianamente ao seu espetáculo favorito, como se
o estado do país fosse o mais próspero possível.
Há dias houve ali uma
bezerrada, em que tomaram parte atores, jornalistas, etc.
Entretanto a pátria
gemia..,.
Pois não gema!
A nacionalidade vai-se
perdendo…
Pois não se perca!
E as derrotas têm sido
formidáveis…
Que se amanhem!
….”
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 30577, 11 de março de 2015,
p.18)
9.3.15
Entre em ação
RTP tem um NOVO conselho de administração, que tem orientações superiores para "envolver e escutar os cidadãos".
Por favor, pelo fim da emissão televisiva de touradas rumo à abolição da tauromaquia, envie para os membros da nova administração a mensagem abaixo sugerida e divulgue esta campanha (evento para divulgação/envio de convites:https://www.facebook.com/ events/1417188491916007/)
Endereços dos destinatários da mensagem:
Para: cristina.martins@rtp.pt
Mensagem sugerida:
Aos membros do novo Conselho de Administração da RTP:
Exmos. Srs./Sra.,
Dr. Gonçalo Reis,
Dr. Nuno Artur Silva,
Eng.ª Cristina Vaz Tomé,
Foi com agrado que tomei conhecimento que entre as linhas estratégicas definidas pelo recém criado Conselho Geral Independente consta “envolver e escutar os cidadãos” naquela que se quer “uma empresa aberta à sociedade e ao país” (http://www.rtp.pt/wportal/ grupo/cgi/LOE_pdf.php).
Estando esse recém eleito Conselho de Administração já em funções e a preparar um “programa de transformação da RTP” (http://www.rtp.pt/wportal/ grupo/cgi/PE_pdf.php), considero oportuno expor a minha perspectiva sobre aquela que tem sido, mas não deve continuar a ser, a postura da RTP em relação à tauromaquia.
A RTP tem vindo a envolver-se na promoção, organização e exibição de touradas, desrespeitando não só os animais como as pessoas que por eles sentem compaixão. Tem insistido em fazê-lo, desvalorizando o seu mais volumoso processo de queixas (http://youtu.be/xQbaNCYkxU4) e dando uma abusiva utilização às suas receitas, maioritariamente provenientes da contribuição para o audiovisual, não prestando sequer contas sobre gastos com tauromaquia (http://youtu.be/39o-ZZp20cU). Não é, pois, de estranhar que não mereça a confiança de pessoas como eu e tenha uma imagem tão descredibilizada.
É vergonhoso que, em pleno Séc. XXI, a RTP se permita levar a casa dos cidadãos e cidadãs um espectáculo tão violento e degradante como a tourada, em que predominam imagens de animais a serem perfurados por ferros e a jorrarem sangue, para gáudio de uma minoria arreigada a uma tradição que deve ser esquecida. É inaceitável que apoie uma actividade assente na tortura de animais indefesos, algumas vezes também causadora de ferimentos graves e morte de humanos, que nos remete para uma situação de atraso civilizacional. Nada justifica a manutenção, por parte da estação de serviço publico de televisão, desta conduta moralmente reprovável e socialmente deseducativa e obstrutiva do progresso moral. É tempo de a RTP mudar.
Apelo a V. Exas. para que definam, desde já, orientações de gestão conducentes ao corte absoluto de qualquer tipo de envolvimento da RTP com touradas e restantes actividades tauromáquicas, com particular destaque para a promoção e transmissão destas.
Agradecendo muito a atenção dispensada e ficando na expectativa de uma resposta positiva,
Com os melhores cumprimentos,
(Nome)
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