29.3.16

A tourada na escola


A Tourada na Escola

Tomámos conhecimento, através do programa da XIV Semana da Ciência, promovida pelo Departamento de Ciências da EBI de Angra do Heroísmo, da integração da conferência “A importância da festa Brava na ilha Terceira”, no programa da XIV Semana da Ciência, promovida pelo Departamento de Ciências da referida escola.

Aquele facto merece da minha parte dois reparos, o primeiro foi muito bem descrito por um texto que circula nas redes sociais e que questiona a ligação entre ciência e tauromaquia. De acordo com o autor(a) ou autores(as) do mesmo: “Não é compreensível que na promoção da ciência - uma área que leva à importância de questionar, de comprovar, da experenciação, da reflexão - tenha sido subtilmente aproveitada para incutir a prática da tauromaquia, em crianças, pré adolescentes e adolescentes”. O segundo reparo relaciona-se com a finalidade da escola e da educação. Assim, segundo o conhecido pedagogo francês Freinet, o principal fim da educação “é o crescimento pessoal e social do indivíduo, elevar a criança a um máximo de humanidade preparando-a a não apenas para a sociedade atual, mas para uma sociedade melhor, fazendo-a avançar o mais possível em conhecimento num constante desabrochar”.

Podemos não concordar com as ideias e com a pedagogia de Freinet, mas achamos que qualquer pessoa de bom senso pode rever-se no fim enunciado. Assim sendo, gostaríamos que os promotores da conferência refletissem sobre que contributo poderá dar a mesma para o conhecimento científico das crianças, como pode a divulgação e banalização da tortura mais ou menos suave contribuir para a formação pessoal de uma criança e, por último, como pode a mencionada conferencia contribuir para a formação de pessoas mais humanas numa sociedade futura que queremos melhor, isto é onde haja respeito por todos os seres vivos que com os humanos partilham a vida na terra.

Termino, transcrevendo um poema da autoria de José Batista, publicado em Abril 1915 na Revista Pedagógica, dirigida por Maria Evelina de Sousa onde de modo muito subtil é abordada a questão da violência na tauromaquia.

NA TOURADA
Entra na arena o touro, furioso,
Arremetendo contra o cavaleiro
Que, impávido, lhe crava, bem certeiro,
Um ferro no cachaço musculoso.

Solta a fera um rugido doloroso,
A que responde o redondel inteiro~
Numa salva de palmas ao toureiro,
Vitoriando o feito valoroso.

D’um camarote chovem frescas flores,
Arremessadas pela nívea mão
De donzelinhas lindas como amores!...

Tão lindas, sim, mas parecendo feias…
Porque se apaga o brilho da paixão
Em quem jubila com dores alheias.

Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 30896, 29 de março de 2016, p.8)
Imagem: http://c3.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Baa150c43/16520103_niELl.jpeg

24.3.16

Carta à Presidente do Conselho Executivo da Escola Básica Integrada de Angra do Heroísmo


Exma. Senhora

Dr.ª Nélia Rebelo
Presidente do Conselho Executivo
da Escola Básica Integrada de Angra do Heroísmo

c/c à senhora Diretora Regional da Educação, ao senhor Secretário Regional da Educação e Cultura e ao senhor Presidente do Governo Regional dos Açores

Recebi na minha caixa de correio um apelo para que enviasse, a V. Exª, um e-mail a contestar a integração de uma conferência intitulada a “A importância da festa Brava na ilha Terceira” no programa da XIV Semana da Ciência, promovida pelo Departamento de Ciências da EBI de Angra do Heroísmo.

Embora esteja convencido de que se tratará de uma perda de tempo da minha parte já que a mesma terá tido a concordância do Conselho Pedagógico da Escola e da prórpia Secretaria Regional da Educação que era uma das entidades que terá estado presente na sessão de abertura da referida semana, venho manifestar a minha estranheza e indignação pela presença de uma conhecida ganadeira que como todos sabemos aluga e vende touros para touradas à corda e de praça.

O conhecido pedagogo francês Freinet, sobre a educação escreveu que o principal fim “é o crescimento pessoal e social do indivíduo, elevar a criança a um máximo de humanidade preparando-a a não apenas para a sociedade atual, mas para uma sociedade melhor, fazendo-a avançar o mais possível em conhecimento num constante desabrochar”.

Pode Vossa excelência não concordar com as ideias e com a pedagogia de Freinet, mas acho que qualquer pessoa de bom senso pode rever-se no fim enunciado. Assim sendo, gostaria que Vossa Exª refletisse sobre que contributo poderá dar a referida conferência para o conhecimento científico das crianças, como pode a divulgação e banalização da tortura mais ou menos suave contribuir para a formação pessoal de uma criança e, por último, como pode a mesma contribuir para a formação de pessoas mais humanas numa sociedade futura que queremos melhor, isto é onde haja respeito por todos os seres vivos que com os humanos partilham a vida na terra.
Com os melhores cumprimentos

Teófilo José Soares de Braga

23.3.16

CONTRA ESCOLA QUE DESEDUCA



Solicita-se a colaboração de tod@s para o ENVIO e PARTILHA do seguinte texto para:

ebi.angraheroismo@azores.gov.pt, dre.info@azores.gov.pt, srec.gabinete@azores.gov.pt, diredacao@diarioinsular.com, acores@lusa.pt


Exma. Senhora Presidente do Conselho Executivo da EBI de Angra do Heroísmo
Exmo. Senhor Secretário Regional da Educação e Cultura

Foi com indiganção e surpresa que tomamos conhecimento, através do programa da XIV Semana da Ciência, promovida pelo Departamento de Ciências da EBI de Angra do Heroísmo, da conferência “A importância da festa Brava na ilha Terceira” integrar o elenco das temáticas.

Não é compreensível que na promoção da ciência - uma área que leva à importância de questionar, de comprovar, da experenciação, da reflexão - tenha sido subtilmente aproveitada para incutir a prática da tauromaquia, em crianças, pré adolescentes e adolescentes.

É pública, no vídeo registado no momento da conferência, a forma como o tema é abordado, incutindo aquela como uma verdade inquestionável, por parte da Dra. Fátima Ferreira, docente do 1º ciclo e ganadera.

Como tal, ressalva-se a indignação pelo lugar e o momento escolhidos para esta acção que, vinda de uma docente, proprietária de uma ganaderia, parece legítimo considerar eivada de intuitos comerciais - a saber uma Escola Pública, onde terá sido forçosamente autorizada pelos respectivos órgãos de gestão, e no âmbito de uma Semana da Ciência, no qual não se compreende a pertinência deste tema integrar um programa no qual o objectivo é despertar e sensibilizar para a ciência.

Desta forma, e tendo em conta toda a contestação aos niveis regional, nacional e internacional de que tem sido alvo a prática da tauromaquia por questões de natureza ética; face aos estudos cientificos que comprovam a senciencia animal; face às recomendações feitas a Portugal pela ONU, através do seu Comité dos Direitos da Criança, no sentido de tomar medidas para proteger os jovens portugueses da violência ligada à actividade tauromáquica, violência da qual não está isenta a tourada à corda; considera-se que o tema supra referido é despropositado, desquenquadrado, abusivo, deseducativo e consequentemente, em todos os sentidos, anti pedagógico.

Vimos pois pedir a Vª Exas, perante o exposto, que sejam tomadas medidas para que esta situação não se repita em nenhuma instituição de ensino, na região.

Com os melhores cumprimentos,

FONTE da IMAGEM: https://www.youtube.com/watch?v=ZsEf2I7WlC4&feature=em-uploademail

22.3.16

Oliveira San-Bento e a proteção dos animais


Oliveira San-Bento e a proteção dos animais

José de Oliveira San-Bento (1893-1975), advogado, jornalista e poeta de reconhecido mérito, interessou-se pela causa dos animais quando era estudante de direito, tendo aderido à Sociedade Micaelense Protetora dos Animais, onde, segundo a Profª. Doutora Maria da Conceição Vilhena, militou “ativamente, em prol do desenvolvimento das qualidades de coração”, pelo menos durante 30 anos.
Pouco sabemos acerca do seu trabalho em prol dos animais, apenas temos a informação de que fez parte da direção da Sociedade Micaelense Protetora dos Animais eleita a 5 de janeiro de 1936 e que fazia parte da mesma direção em 1945, ano em que fez-se representar por Maria Evelina de Sousa, na última reunião a que assistiu Alice Moderno.
Sobre o seu pensamento sobre a causa dos animais, o texto da sua autoria “Proteção aos animais”, publicado n’A Folha nº 667, de 20 de Novembro de 1916, é bastante elucidativo e, infelizmente não perdeu atualidade.
Segundo ele a causa principal para os atos de barbaridade para com os animais domésticos é a “educação do nosso povo e na imperfeitíssima orientação que se dá à infância em casa e nas escolas e à mocidade”.
No seu texto, Oliveira San-Bento manifesta-se contrário a quem aponta, às doutrinas religiosas, a causa das ações bárbaras contra os animais. Diz ele que “ a não ser nas religiões que precisam de vitelos para aplacar a ira de um deus terrível e que chegam ao canibalismo e à antropofagia, não nos parece, em nome da verdade o dizemos, que se aconselhe a guerra aos animais no protestantismo ou no catolicismo”.
Depois de descrever algumas situações lamentáveis a que estavam sujeitos os animais de tiro, Oliveira San-Bento escreve: “Este quadro assim, simples, é de molde a revoltar uma alma bem formada, a menos que se resuma a bondade só em amar os nossos semelhantes, o nosso próximo, o que não nos parece, porque ninguém se deve considerar bom, sem que as suas boas qualidades se manifestem também para com os animais”
Por fim, no texto que vimos citando, o autor apresenta uma sugestão, que pela sua atualidade aqui divulgamos:
“Não se faz na escola a festa da Árvore para educar as crianças no culto à nossa amiga vegetal? Assim também seria louvável aquela que se fizesse preconizando o amor pelos animais, para fazer compreender ao povo que é um dever ser grato aos seus serviços”.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 30891 de 22 de março de 2016, p 15)

20.3.16

Não deixes para amanhã o que tens de protestar hoje



Solicita-se a colaboração de tod@s para o ENVIO e PARTILHA do seguinte texto para:
reitoria.gabinete@uac.pt
geral@aecah.com
sasua@uac.pt
Cc: acores@lusa.pt


Magnífico Reitor
Caros/as estudantes

Nos últimos anos têm sido recorrente as manifestações da sociedade repudiando qualquer ato de agressividade e violência infligido animais, como forma de diversão.

A estas manifestações, aconteçam presencial ou virtualmente, têm-se associado, também, as camadas mais jovens da população, que em movimentos estudantis de diferentes graus de ensino, repudiam aquilo que consideram ser uma prática desajustada aos valores que se pretendem desenvolver e implementar, nos quais se incluem o respeito e bem-estar animal, no que não se inclui a garraiada.

Realça-se a grande inovação e passo civilizacional dado por diversas associações de estudantes que eliminaram dos seus programas da "Queima de Fitas" a prática da garraiada, por diversas universidades em Portugal.

Desta forma, a única tradição de que qualquer instituição de ensino, neste caso concreto a Universidade, deve orgulhar-se e pela qual deve lutar acerrimamente, é a do seu papel como baluarte do conhecimento e da ética.

É por isso que deve questionar regularmente as suas práticas e os seus valores para que estes sejam sempre consentâneos com o papel de charneira que a sociedade lhe imputa.

Pelo seu percurso histórico, a Universidade dos Açores, tem neste campo uma responsabilidade acrescida e não pode, assim, continuar a permitir-se promover atividades que violam o princípio básico de não provocar sofrimento desnecessário.

Devemos contribuir para a difusão de valores como a ética, a solidariedade, a excelência académica, não precisamos nem devemos vitimizar animais em garraiadas e atividades similares para celebrarmos os nossos sucessos.

Por estes motivos manifesto o meu total repúdio, lamentando a continuidade de uma prática tão polémica, nos programas do evento supra referido, relativamente ao campus de Angra do Heroísmo no dia 9 de abril, apelando para que seja definitivamente banida.

Com os melhores cumprimentos e elevada consideração,


15.3.16

Entregar um animal num canil é abandono


Entregar um animal num canil é abandono

De acordo com a Lei nº69/2014, “quem, tendo o dever de guardar, vigiar ou assistir animal de companhia, o abandonar, pondo desse modo em perigo a sua alimentação e a prestação de cuidados que lhe são devidos, é punido com pena de prisão até seis meses ou com pena de multa até 60 dias”.

Ir a um canil levar um animal, com quem se viveu durante vários anos, por estar velho ou doente é ou não abandono? Ir a um canil levar uma ninhada de cachorros porque não se quis esterilizar os animais que se tem em casa é ou não abandono? Ir, por exemplo, um dirigente partidário concelhio, a um canil levar dois cães saudáveis porque a família está à espera de um bebé é ou não abandono?

Ir a um canil levar um animal sem qualquer razão válida para o fazer não devia ser considerado abandono e punido como está previsto na lei?

Hoje, como é sabido, a grave situação existente nos canis, nos Açores, está relacionada com o abandono de animais um pouco por todo o lado , com a sua entrega nos canis e com a aceitação das “doações” por parte daqueles, sem qualquer penalização dos caridosos “ofertantes”.

Face ao exposto, devem os responsáveis pelos canis ficar de braços cruzados à espera das “doações” ou devem tomar medidas para dissuadir os abusadores que, embora sabendo que os canis são de abate, têm o descaramento de responsabilizar os veterinários municipais pelos abates?

Sem violar qualquer norma legal, os canis podem, diria mesmo, não devem aceitar animais entregues pelos seus detentores, a não ser em situações limite, como estes não terem meios, devidamente comprovados, para pagar um veterinário e os animais serem portadores de doença que possa contaminar outros e os humanos.

O escrito anteriormente não é nada de original, mas a descrição do que se passa em alguns dos canis no nosso país, como, por exemplo, em Cantanhede onde, segundo uma reportagem do jornal Aurinegra, publicada em dezembro de 2010, o seu “Centro não aceita animais entregues “em mãos”, a não ser que estes representem, comprovadamente, um perigo ou sejam portadores de uma doença irreversível, estejam em sofrimento ou possam contaminar seres humanos, até porque o veterinário considera que isso daria ao Centro “uma imagem de matadouro, uma imagem horrível”.

Por cá, por que razão se continua a facilitar a vida aos prevaricadores? Por que não há coragem de se tomar medidas semelhantes?

Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 30885, 13 de março de 2016, p.11)

7.3.16

Relheiras e animais de tiro



Relheiras e animais de tiro

A Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores aprovou, em 29 de outubro de 2015, uma resolução apresentada pelo Grupo Parlamentar do CDS-PP que recomenda que o Governo Regional dos Açores inventarie as relheiras existentes na Região, que considere a sua promoção como elemento turístico e que elabore, no prazo de 200 dias, um relatório que inclua, entre outros itens, uma inventariação e um plano de proteção.

As relheiras, que são sulcos escavados pelas rodas dos carros de bois na rocha vulcânica, existem em várias ilhas. Na ilha de São Miguel há nos Fenais da Luz e são o testemunho do trabalho árduo dos nossos antepassados e do esforço, muitas vezes não compensado ou reconhecido, dos animais de tiro que foram grandes auxiliares do homem até ao aparecimento dos veículos motorizados.

Quem fizer uma leitura dos jornais até à década de 70 do século passado verá que as denúncias sobre maus tratos aos animais eram relativos aos animais de companhia, sobretudo cães que eram abandonados, e aos animais de tiro, com destaque para os bois que percorriam grandes distâncias, como, por exemplo, entre a Maia e a fábrica do açúcar em Ponta Delgada no transporte de beterraba e que não só não eram bem alimentados como eram vítimas das aguilhadas.

Mas, não se pense que os maus tratos a que eram sujeitos os bois se devia apenas à ganância ou ignorância dos seus donos, pois maus exemplos eram também dados pela Câmara Municipal de Ponta Delgada. Com efeito, em 1925, o “lastimoso estado de magreza” dos bois camarários era tal que o Correio dos Açores publicou o seguinte apelo dirigido à Sociedade Micaelense Protetora dos Animais:

“O estado esquelético em que os pobres bois municipais quotidianamente andam pelas encovadas ruas desta cidade, puxando carroças de lixo, não é um motivo de compaixão.

Indagando a causa de tanta magreza, viemos a saber factos espantosos que se dão com a alimentação destes animais. Como, porém, somos suspeitos ante as pessoas que devem fiscalizar estes serviços, chamamos, humanamente, a atenção da Sociedade Micaelense Protetora dos Animais para este caso que também envergonha o nosso meio social”.

Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 30879, 8 de março de 2016, p.11)

29.2.16

Ainda sobre o colóquio promovido pela Câmara Municipal de Ponta Delgada


Ainda sobre o colóquio promovido pela Câmara Municipal de Ponta Delgada

No passado dia 26 de fevereiro, estive presente no Centro Cívico de Santa Clara a assistir às várias comunicações apresentadas no colóquio “As parceiras como modelo de atuação para a implementação de canis de acolhimento” promovido pela Câmara Municipal de Ponta Delgada.

Tal como esperava nenhum dos oradores convidados me defraudou, isto é todas as comunicações cativaram o público, tanto as que apresentaram as experiências e as situações locais como as que apresentaram pistas para onde se deve caminhar em São Miguel.

Não vou, por razões de tempo e de espaço, fazer referência a todas as comunicações apresentadas já que correria o risco de repetir a nota de imprensa da Câmara Municipal de Ponta delgada que sintetiza muito bem o que lá se passou. Assim, neste texto limitar-me-ei a apresentar alguns aspetos que considero relevantes, quer porque se referem a alterações em relação ao passado, quer por terem suscitado algumas dúvidas e que importa serem abordados pelas várias entidades.

Vou começar pela intervenção do Diretor Regional da Agricultura que mencionou e muito bem que o abate compulsivo de animais errantes não era solução e falou no Projeto Alice Moderno e no concurso “os animais também sentem”.

Estava à espera de mais, já que normalmente os políticos aproveitam estas ocasiões para apresentarem os projetos que têm para o futuro. Assim, através do seu silêncio fiquei com a sensação ou quase certeza de que nada está programado e de que o Projeto Alice Moderno foi pontual e muito limitado que nem parceria teve com quem está no terreno, as associações animalistas e os voluntários a título individual. Quanto ao futuro do Hospital Alice Moderno nem uma referência mereceu.

Uma intervenção que me surpreendeu pela positiva, pois antes tinha a sensação de que a Ordem dos Médicos Veterinários era, como dizem os políticos, uma força de bloqueio à implementação de uma nova política para os animais der companhia, foi a do recém-eleito bastonário que falou no conceito de uma só saúde e na possibilidade da existência de uma bolsa de horas dos médicos veterinários para esterilizações, onde apenas seriam cobrados os custos materiais e não os honorários.

Termino com uma questão que voltou a ser debatida, a de um canil intermunicipal. Sobre este assunto, não tenho, de momento, uma opinião formada. Com efeito, havendo uma aposta séria na diminuição dos abandonos, através de um canil intermunicipal, bem gerido, será possível rentabilizar recursos humanos e não só. Por outro lado, devendo todas as autarquias possuir um veterinário-municipal, a existência de canis municipais, permitirá o envolvimento da sociedade na sua gestão ou apoio em termos de voluntariado, poderá fomentar a participação cívica através do associativismo animalista, facilitará as adoções e poderá ser um contributo para a criação de postos de trabalho.

Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 30873, 1 de março de 2016, p.13)

27.2.16

Vereadora responsável pelo Canil Municipal de Ponta Delgada afirma que “vamos fazer melhor”



Vereadora responsável pelo Canil Municipal de Ponta Delgada afirma que “vamos fazer melhor”

A Vereadora Luísa Magalhães, que tutela a área da energia, ambiente, recursos naturais, espaços verdes e vida animal, afirmou, hoje, na abertura do colóquio “As parcerias como modelo de atuação para a implementação de canis de acolhimento”, que “esta iniciativa vem ao encontro do trabalho que a nossa Autarquia tem vindo a desenvolver, desde há uns anos, para que o Centro de Recolha Oficial de Ponta Delgada se transforme em canil de acolhimento”.
A responsável autárquica pelo Centro de Recolha Oficial de animais de companhia de Ponta Delgada adiantou que este colóquio surge “na sequência da necessidade de definir modos específicos de atuação e de articulação das campanhas de esterilização, nas várias vertentes sociais e legais, como forma de obter resultados mais rápidos e eficazes”.
“Ponta Delgada é o primeiro Município dos Açores e do país a promover um colóquio sobre esta temática tão importante e atual e isto acontece graças ao empenho do nosso Veterinário, Dr. Vergílio Oliveira, e à presença de um conjunto de personalidades, cujo perfil académico e a atividade profissional podem contribuir, de forma valiosa, para a definição de um modelo de atuação conducente ao controlo populacional de canídeos” - referiu a vereadora.
Luísa Magalhães alertou para a necessidade de “envolver vários parceiros estratégicos (desde as câmaras municipais, veterinários e associações, até à população em geral)” e acrescentou que “o controlo populacional é fundamental para permitir, futuramente, que a Câmara Municipal de Ponta Delgada ponha termo ao abate de animais, assim como a revisão do regulamento do canil e punição de situações de maus tratos”.
O fim dos abates é “uma vontade que, por razões éticas, mas também de redução de custos, a Autarquia já procura concretizar há vários anos” salientou a vereadora da Câmara Municipal.
“Com a realização deste colóquio, damos mais uma prova concreta do trabalho que temos vindo a desenvolver. O nosso canil foi o primeiro a ser licenciado como Centro de Recolha Oficial de animais nos Açores. É um dos poucos do país que alia a política de transparência à existência de informação estruturada. Mas queremos fazer mais e melhor. Vamos fazer mais e melhor” - afirmou Luísa Magalhães antes de deixar votos de um excelente trabalho a todos os participantes.
No decorrer dos trabalhos, as entidades envolvidas nesta área (veterinários, associações, voluntários e responsáveis políticos/autárquicos) puderam conhecer-se e mostrar e dar conhecimento do que cada um está a fazer, neste momento, em prol do bem estar animal.
O Veterinário Municipal de Ponta Delgada, Vergílio Oliveira, apresentou a realidade do Canil Municipal de Ponta Delgada: “Infelizmente, a incidência de recolha de animais tem vindo a crescer desde 2007; a entrada de animais no nosso canil é 40% maior que a Casa de animais de Lisboa. Felizmente, as adoções também cresceram, de gatos e de cães, mas não em número suficiente (não ultrapassam os 400 por ano)”.
“Há vários desafios a enfrentar e que começam na formação/informação aos munícipes. Existem muitas ações que estão a ser divulgadas e realizadas, mas que não têm tido o impacto desejado”, reforçou Vergílio Oliveira.
O Veterinário Municipal referiu a título de exemplo que “foram feitas duas campanhas mais intensivas de esterilização (60 cadelas em cada uma das iniciativas), em parceria com duas associações. Houve divulgação, foram intervenções totalmente gratuitas, mas não houve a procura que prevíamos e desejaríamos. Esperávamos receber dezenas de animais, mas o número de inscrições foi assustadoramente baixo”.
Vergílio Oliveira perante este cenário afirma que “é necessário avançar com a responsabilização dos detentores dos animais pela sua não identificação eletrónica, maus tratos e entrega de ninhadas de forma constante”.
Já Marta Videira, da Câmara Municipal de Lisboa, trouxe o seu testemunho e desmitificou a ideia de que para acabar com os canis de abate não basta apenas decidir que sim: “Não é possível, de um dia para o outro, transformar um canil de abate num canil sem abates. É preciso dinheiro, muito dinheiro. Envolvimento, espaço a nível de infraestruturas e uma boa equipa. Não basta apenas um veterinário”.
Por outro lado, Sofia Lima, da Associação Animais de Rua, expressou a sua opinião enquanto parceira da Casa de Animais de Lisboa e do Canil Municipal de Ponta Delgada no processo de captura, esterilização e devolução ao meio ambiente dos gatos silvestre referindo que “a nosso ver o que faz a Casa de Animais de Lisboa e o que faz o Canil de Ponta Delgada tem o mesmo valor, tendo em conta os recursos e o muito empenho por parte de ambas as entidades”.
A Vereadora Luísa Magalhães encerrou o colóquio “As parcerias como modelo de atuação para a implementação de canis de acolhimento” concluindo que “é necessário mudar as mentalidades, investindo ainda mais na informação e sensibilização e nós vamos fazê-lo. São necessário parcerias que trabalhem em conjunto com o Canil Municipal, pois só assim se educa uma sociedade e se muda uma realidade. É necessário continuar a esterilizar e nós vamos reforçar estas campanhas. É preciso mais fiscalização, responsabilização e punição e nós vamos estar mais atentos. Porque nós queremos fazer melhor”.

Fonte: http://www.cm-pontadelgada.pt/Site/FrontOffice/default.aspx?module=News%2FNews&id=94662